domingo, 10 de setembro de 2000

Dab'ru êmet - Uma Posição judaica perante cristãos e Cristandade

Nos anos passados, tem-se consumado uma mudança dramática e inimaginável nas relações cristãs-judaicas. Durante os aproximadamente dois mil anos do exílio judaico, os cristãos consideraram geralmente o Judaísmo uma como religião fracassada ou, na melhor das hipóteses, uma como religião precursora, a qual preparara o caminho à Cristandade e nesta teria chegada ao seu cumprimento. Nos decênios após o Holocausto, porém, a Cristandade mudou dramaticamente. Um número crescente de associações, entre elas tanto romano-católicos como protestantes, expressaram em declarações públicas o seu arrependimento sobre os maus tratos de judeus e o Judaísmo. Além disso, essas declarações tornaram explícita como a doutrina e pregação cristãs podem e devem ser reformadas, para reconhecer a Aliança de Deus com o povo judaico como invariavelmente válida e apreciar a contribuição do Judaísmo para a cultura mundial e para a própria fé cristã.

Estamos convencidos que essas mudanças merecem uma bem pensada resposta judaica. Como um grupo de cientistas judaicos de correntes diferentes – que não fala senão em seu próprio nome – estamos convencidos que está na hora para dos judeus pensarem no que o Judaísmo tem a dizer hoje à Cristandade. Como um primeiro passo queremos explicar em oito concisos pontos como judeus e cristãos poderiam estar em relação uns com os outros.

Judeus e cristãos adoram o mesmo Deus.

Antes do surgimento da Cristandade eram somente os judeus que adoravam o Deus de Israel. Mas também os cristãos adoram o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o criador do céu e da terra. Se bem que a fé cristã não represente uma alternativa aceitável para judeus, alegramo-nos como teólogos judaicos porque tantos milhões de gente entraram em relação com o Deus de Israel através da Cristandade.

Judeus e Cristãos apoiam-se no mesmo livro – a Bíblia (que os judeus chamam de "Tenak" e os cristãos o "Antigo Testamento").

Nele procuramos orientação religiosa e enriquecimento espiritual e mentalidade comunitária, tirando dele ensinamentos semelhantes: Deus criou e mantém o universo; Deus fez uma aliança com o povo de Israel, e é a palavra de Deus que conduz Israel a uma vida em justiça; afinal, Deus salvará Israel e o mundo inteiro. Não obstante, judeus e cristãos interpretam a Bíblia diferentemente. Essas diferenças devem ser respeitadas.

Cristãos respeitam a reivindicação do país de Israel pelo povo judaico.

Para os judeus, o restabelecimento do Estado de Israel no país prometido representa o acontecimento mais significante desde o holocausto. Como pertencentes a uma religião biblicamente fundada, cristãos estão gratos porque Israel foi prometido e dado aos judeus como concreta encarnação da Aliança entre eles e Deus. Muitos cristãos apoiam o Estado de Israel por razões muito mais profundas do que tais de natureza política. Como judeus, recebemos bem esse apoio. Além disso, sabemos que a tradição judaica manda justiça para todos os não-judeus que viverem no estado judaico.

Judeus e Cristãos reconhecem os princípios morais da Toráh.

No centro dos princípios morais da Toráh estão a santidade e dignidade inalienáveis de cada pessoa humana. Nós todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Essa atitude moral comum pode ser o fundamento para uma relação melhorada entre as nossas duas comunidades. Mais além, pode chegar a ser fundamento dum vigoroso testemunho para toda a humanidade, servindo para o melhoramento da vida dos nossos semelhantes e contra a imoralidade e idolatria, as quais nos ferem e degeneram. Um tal testemunho é urgente, principalmente após os horrores sem pares do século passado.

O Nazismo não era um fenômeno cristão.

Sem a longa história de antijudaísmo cristão e violência cristã contra os judeus, porém, a ideologia nacionalsocialista não teria podido existir, nem ter-se realizado. Demasiado número de cristãos participaram das crueldades contra os judeus ou as aprovaram. Outros cristãos, ainda, não protestavam o suficiente contra estas crueldades. Mesmo assim, o Nacionalsocialismo mesmo não era um produto automático do Cristianismo. Tivessem os nacionalsocialistas conseguido a destruição total dos judeus, sua fúria homicida ter-se-ia dirigido diretamente contra os cristãos. Com gratidão lembramo-nos daqueles cristãos que durante o domínio nacionalsocialista arriscaram ou sacrificaram as suas vidas para salvar judeus. Tendo em vista estes cristãos, exigimos a continuação dos recentes esforços na teologia cristã, para rejeitar univocamente o desprezo do Judaísmo e do povo judaico. Louvamos aqueles cristãos que recusam esse ensino de desdém e não os acusamos por causa dos pecados dos seus antecedentes.

A diferença, irreconciliável segundo critério humano, entre judeus e cristãos não será tirada antes de que Deus tenha salvo o mundo inteiro, conforme o profetizam as Escrituras.

Os cristãos conhecem a Deus e lhe servem através de Jesus Cristo e da tradição cristã. Os judeus conhecem Deus e lhe servem através da Toráh e da tradição judaica. Essa diferença não será desfeita, nem por uma das comunidades insistir em que ela é que interprete a Escritura mais corretamente que a respetiva outra, nem por uma comunidade exercer poder político sobre a outra. Assim como judeus reconhecem a fidelidade dos cristãos na sua Revelação, esperamos dos cristãos que respeitem a nossa fidelidade referente à nossa revelação. Nem a judia nem a cristã seja urgida aceitar a doutrina da outra comunidade.

Um renovado relacionamento entre Judeus e cristãos não vai enfraquecer a praxe judaica.

Um relacionamento melhorado não vai acelerar a, temida por judeus com razão, assimilação cultural e religiosa. Nem vai mudar as formas judaicas tradicionais de adoração, nem vai promover casamentos interreligiosos entre judeus e nao-judeus, nem vai aumentar a motivação de judeus se converterem à Cristandade, e nem uma inconveniente mistura entre Judaísmo e Cristandade. Reconhecemos a Cristandade como uma fé que provém do Judaísmo e continua dispondo de importantes contatos com este. Não consideramos a Cristandade uma como extensão do Judaísmo. Não podemos sinceramente manter as nossas relações uns com os outros, senão cultivarmos as nossas próprias tradições.

Judeus e cristãos devem empenhar-se juntos pela justiça pela paz.

Judeus e Cristãos conhecem, cada um ao seu modo, a não-redenção do mundo, como esta se manifesta em permanente perseguição, pobreza, degradação e miséria humanas. Se bem que justiça e paz repousam em última instância nas mãos de Deus, os nossos esforços comuns, junto com aqueles de outras comunidades de fé, ajudarão a trazer o Reino de Deus, que esperamos e ansiamos. Separados e unidos devemos trabalhar para que justiça e paz entrem no nosso mundo. A visão dos profetas de Israel é para nós guia comum nisso.

"Dias virão em que o monte da casa do Senhor será estabelecido no mais alto das montanhas e se alçará acima de todos os outeiros. A ele acorrerão todas as nações, muitos povos virão dizendo: ‘Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos nas suas veredas.’" (Is 2,2-3).

Tikva Frymer-Kensky, University of Chicago
David Novak, University of Toronto
Peter Ochs, University of Virginia
Michael Signer, University of Notre Dame

Tradução: Pedro von Werden SJ

Fonte: Jewish-Christian Relations

segunda-feira, 16 de março de 1998

Nós Recordamos: Uma Reflexão sobre o Shoah

COMISSÃO PARA AS RELAÇÕES RELIGIOSAS COM O JUDAÍSMO 
 
NÓS RECORDAMOS:
UMA REFLEXÃO SOBRE O SHOAH
 
 
I. A tragédia do Shoah e o dever da memória 

Está a concluir-se rapidamente o século XX e já desponta a aurora de um novo milénio cristão. O Bimilenário do nascimento de Jesus Cristo solicita todos os cristãos e convida, na realidade, cada homem e cada mulher a procurarem descobrir no fluxo da história os sinais da divina Providência em acção, e os modos como a imagem do Criador presente no homem foi ofendida e desfigurada. 

Esta reflexão refere-se a um dos principais sectores em que os católicos podem tomar a peito seriamente o apelo que João Paulo II lhes dirigiu na Carta Apostólica Tertio millennio adveniente: «Assim, quando o segundo milénio já se encaminha para o seu termo, é justo que a Igreja assuma com maior consciência o peso do pecado dos seus filhos, recordando todas aquelas circunstâncias em que, no arco da história, eles se afastaram do espírito de Cristo e do seu Evangelho, oferecendo ao mundo, em vez do testemunho de uma vida inspirada nos valores da fé, o espectáculo de modos de pensar e agir que eram verdadeiras formas de anti-testemunho e de escândalo» (1). 

O século actual foi testemunha de uma indizível tragédia, que jamais poderá ser esquecida: a tentativa do regime nazista de exterminar o povo judaico, com o consequente morticínio de milhões de judeus. Homens e mulheres, adultos e jovens, crianças e recém-nascidos, só porque eram de origem judaica, foram perseguidos e deportados. Alguns foram trucidados imediatamente, outros foram humilhados, maltratados, torturados, privados completamente da sua dignidade humana e, por fim, mortos. Pouquíssimos de quantos foram internados nos campos de concentração sobreviveram, e ficaram aterrorizados durante a vida inteira. Este foi o Shoah: um dos principais dramas da história deste século, um facto que ainda hoje nos diz respeito. 

Diante deste horrível genocídio, em que os responsáveis das nações e as próprias comunidades judaicas julgaram difícil acreditar no momento em que esse era perpetrado sem misericórdia. ninguém pode ficar indiferente, menos de todos a Igreja, em virtude dos seus vínculos estreitíssimos de parentesco espiritual com o povo judaico e da recordação que ela nutre das injustiças do passado. A relação da Igreja com o povo judaico é diferente daquela que entretece com qualquer outra religião (2). Não se trata apenas de retornar ao passado. O futuro comum de judeus e cristãos exige que nos recordemos, porque «não há futuro sem memória» (3). A própria história é memoria futuri.  

Ao dirigir esta reflexão aos nossos irmãos e irmãs da Igreja católica espalhados pelo mundo, pedimos a todos os cristãos que se unam a nós na reflexão sobre a catástrofe que atingiu o povo judaico, e sobre o imperativo moral de fazer com que o egoísmo e o ódio nunca venham a crescer a ponto de semear sofrimentos e morte (4). De modo particular, pedimos aos nossos amigos judeus, «cujo destino terrível se tornou símbolo da aberração a que pode chegar o homem, quando se volta contra Deus» (5), que predisponham o seu coração a escutar-nos. 


II. O que devemos recordar 

Ao dar o seu singular testemunho do Santo de Israel e da Tora, o povo judaico sofreu enormemente em diversos tempos e em muitos lugares. Mas o Shoah foi, sem dúvida, o pior sofrimento de todos. A inumanidade com que os judeus foram perseguidos e massacrados neste século supera a capacidade de expressão das palavras. E tudo isto lhes foi feito só porque eram judeus. 

A própria enormidade do crime suscita muitos interrogativos. Historiadores, sociólogos, filósofos, políticos, psicólogos e teólogos procuram conhecer mais acerca da realidade e das causas do Shoah. Muitos estudos especializados ainda devem ser feitos. Mas um semelhante evento não pode ser plenamente medido só através dos critérios ordinários da investigação histórica. Ele evoca uma «memória moral e religiosa» e, em particular entre os cristãos, uma reflexão muito séria sobre as causas que o provocaram. O facto de o Shoah ter tido lugar na Europa, isto é, em países de longa civilização cristã, apresenta a questão do relacionamento entre a perseguição nazista e as atitudes dos cristãos, ao longo dos séculos, em relação aos judeus. 


III. As relações entre judeus e cristãos 

A história das relações entre judeus e cristãos é uma história conturbada. Reconheceu-o o Santo Padre João Paulo II nos seus repetidos apelos aos católicos a considerarem a nossa atitude a respeito das nossas relações com o povo judaico (6). Com efeito, o balanço destas relações durante os dois milénios foi bastante negativo (7). 

No alvorecer do cristianismo, depois da crucifixão de Jesus, surgiram contrastes entre a Igreja primitiva e os chefes dos hebreus e o povo hebraico que, em obediência à Lei, às vezes se opuseram com violência aos pregadores do Evangelho e aos primeiros cristãos. No império romano, que era pagão, os hebreus eram legalmente protegidos pelos privilégios que o Imperador lhes garantia, e num primeiro momento as autoridades não fizeram distinção entre as comunidades hebraicas e cristãs. Muito cedo, porém, os cristãos foram vítimas da perseguição do Estado. Quando, em seguida, os próprios imperadores se converteram ao cristianismo, em primeiro lugar continuaram a garantir os privilégios aos hebreus. Mas grupos exacerbados de cristãos que atacavam os templos pagãos, nalguns casos fizeram o mesmo em relação às sinagogas, não sem sofrerem a influência de certas interpretações erróneas do Novo Testamento concernentes ao povo hebraico no seu conjunto. «No mundo cristão – não digo da parte da Igreja enquanto tal – circularam por demasiado tempo interpretações erróneas e injustas do Novo Testamento sobre o povo judaico e a sua presumível culpa, gerando sentimentos de hostilidade no que se refere a esse povo» (8). Tais interpretações do Novo Testamento foram total e definitivamente rejeitadas pelo Concílio Vaticano II (9).

Não obstante a pregação cristã do amor para com todos, compreendidos os próprios inimigos, a mentalidade prevalecente no decurso dos séculos penalizou as minorias e quantos eram de algum modo «diferentes». Os sentimentos de antijudaísmo nalguns ambientes cristãos e a divergência que existia entre a Igreja e o povo judaico conduziram a uma discriminação generalizada, que às vezes redundava em expulsões ou em tentativas de conversões forçadas. Numa grande parte do mundo «cristão», até ao final do século XVIII, quantos não eram cristãos nem sempre gozaram de um status jurídico plenamente garantido. Apesar disto, os judeus espalhados por todo o mundo cristão permaneceram fiéis às suas tradições religiosas e aos costumes que lhes são próprios. Por isso foram considerados com uma certa suspeita e desconfiança. Em tempos de crise como carestias, guerras e pestes ou de tensões sociais, a minoria judaica foi muitas vezes tomada como bode expiatório, tornando-se assim vítima de violências, saques e até mesmo massacres. 

Entre o final do século XVIII e o início do século XIX, os judeus tinham geralmente atingido uma posição de igualdade em relação aos outros cidadãos na maioria dos Estados, e um certo número deles chegou a desempenhar papéis influentes na sociedade. Mas neste mesmo contexto histórico, em particular no século XIX, surgiu um nacionalismo exasperado e falso. Num clima de rápida transformação social, os judeus foram muitas vezes acusados de exercer uma influência desproporcionada em relação ao seu número. Então começou a difundir-se a vários níveis, através da maior parte da Europa, um antijudaísmo que era essencialmente mais sócio-político do que religioso. 

No mesmo período, começaram a aparecer teorias que negavam a unidade da raça humana, afirmando uma originária diferença das raças. No século XX, o nacional-socialismo na Alemanha usou tais ideias como base pseudocientífica, para uma distinção entre as chamadas raças nórdico-arianas e as presumíveis raças inferiores. Além disso, uma forma extremista de nacionalismo foi estimulada na Alemanha pela derrota de 1918 e pelas condições humilhantes impostas pelos vencedores, com a consequência de que muitos viram no nacional-socialismo uma solução aos problemas do País e, por isso, cooperaram politicamente com este movimento. 

A Igreja na Alemanha respondeu condenando o racismo. Essa condenação apareceu pela primeira vez na pregação de alguns membros do clero, no ensinamento público dos Bispos católicos e nos escritos de jornalistas católicos. Já em Fevereiro e Março de 1931, o Cardeal Bertram de WrocLaw, o Cardeal Faulhaber e os Bispos da Baviera, os Bispos da Província de Colónia e os da Província de Friburgo publicaram Cartas pastorais que condenavam o nacional-socialismo, com a sua idolatria da raça e do Estado (10). No mesmo ano em que o nacional-socialismo chegou ao poder, em 1933, os famosos sermões do Advento do Cardeal Faulhaber, aos quais assistiram não só católicos, mas também protestantes e judeus, tiveram expressões de claro repúdio da propaganda nazista anti-semítica (11). A seguir à Kristallnacht, Bernard Lichtenberg, prepósito da Catedral de Berlim, elevou orações públicas pelos judeus. Ele morreu depois em Dachau e foi declarado Beato. 

Também o Papa Pio XI condenou o racismo nazista de modo solene na Encíclica Mit brennender Sorge (12), que foi lida nas igrejas da Alemanha no Domingo da Paixão de 1937, iniciativa que provocou ataques e sanções contra membros do clero. No dia 6 de Setembro de 1938, ao dirigir-se a um grupo de peregrinos belgas, Pio XI afirmou: «O anti-semitismo é inaceitável. Espiritualmente, todos somos semitas» (13). Pio XII, desde a sua primeira Encíclica Summi Pontificatus (14), de 20 de Outubro de 1939, pôs de sobreaviso contra as teorias que negavam a unidade da raça humana e contra a deificação do Estado, o que ele previa que haveriam de conduzir a uma verdadeira «hora das trevas» (15).


IV. O anti-semitismo nazista e o Shoah 

Não se pode ignorar a diferença que existe entre o anti-semitismo, baseado em teorias contrárias ao constante ensinamento da Igreja acerca da unidade do género humano e a igual dignidade de todas as raças e de todos os povos, e os sentimentos de suspeita e de hostilidade que perduram há séculos, a que chamamos antijudaísmo, dos quais, infelizmente, também cristãos foram culpados. 

A ideologia nacional-socialista foi também mais além, no sentido que recusou reconhecer qualquer realidade transcendente como fonte da vida e critério do bem moral. Como consequência, um grupo humano e o Estado, com o qual ele se identificara, arrogaram-se um valor absoluto e decidiram cancelar a própria existência do povo judaico, povo chamado a dar testemunho do único Deus e da Lei da Aliança. Em nível teológico não podemos ignorar o facto que não poucos membros do partido nazista não só demonstraram aversão à ideia de uma divina Providência actuante nas vicissitudes humanas, mas deram também prova de um ódio específico em relação a Deus mesmo. Logicamente, essa atitude levou também à rejeição do cristianismo e ao desejo de ver destruída a Igreja ou, pelo menos, submetida aos interesses do Estado nazista. 

Foi esta ideologia extrema que se tornou a base das medidas empreendidas, em primeiro lugar para desarraigar os judeus das suas casas e, depois, para os exterminar. O Shoah foi a obra de um típico regime moderno neopagão. O seu anti-semitismo tinha as próprias raízes fora do cristianismo e, ao buscar as próprias finalidades, não hesitou em opor-se à Igreja perseguindo também os seus membros. 

Mas devemos perguntar-nos se a perseguição do nazismo contra os judeus não foi facilitada por preconceitos antijudaicos, presentes nas mentes e nos corações de alguns cristãos. O sentimento antijudaico tornou porventura os cristãos menos sensíveis, ou até indiferentes, às perseguições lançadas contra os judeus pelo nacional-socialismo quando chegou ao poder? 

Qualquer resposta a esta pergunta deve ter em conta o facto que estamos a tratar da história de atitudes e modos de pensar de pessoas submetidas a múltiplas influências. Mais ainda, muitos ignoraram totalmente a «solução final» que estava para ser tomada contra um inteiro povo; outros tiveram medo para si mesmos e para os seus entes queridos; alguns tiraram proveito da situação; outros por fim foram movidos pela inveja. Uma resposta deve ser dada para cada caso e, para o fazer, é necessário conhecer aquilo que precisamente motivou as pessoas numa situação específica.

No início, os chefes do Terceiro Reich procuraram expulsar os judeus. Infelizmente, os Governos de alguns Países ocidentais de tradição cristã, inclusive alguns da América do Norte e do Sul, foram mais que hesitantes em abrir os seus confins aos judeus perseguidos. Ainda que não pudessem prever quanto distante teriam ido os hierarcas nazistas nas suas intenções criminosas, os chefes dessas nações tinham conhecimento das dificuldades e perigos a que estavam expostos os judeus que viviam nos territórios do Terceiro Reich. Naquelas circunstâncias, o fechamento das fronteiras à imigração judaica, devida à hostilidade antijudaica ou à suspeita antijudaica, à covardia ou à estreiteza de visão política ou ao egoísmo nacional, constitui um grave peso de consciência para as autoridades em questão. 

Nas terras onde o nazismo empreendeu a deportação em massa, a brutalidade que acompanhou estes movimentos forçados de pessoas inermes, deveria suscitar a suspeita do pior. Ofereceram os cristãos toda a assistência possível aos perseguidos, e em particular aos judeus? 

Muitos o fizeram, mas outros não. Aqueles que ajudaram a salvar o maior número possível de judeus, a ponto de pôr as suas vidas em perigo de morte, não devem ser esquecidos. Durante e depois da guerra, comunidades e personalidades judaicas expressaram a sua gratidão por tudo o que lhes fora feito, inclusive o que Pio XII fizera pessoalmente, ou através dos seus representantes, para salvar centenas de milhares de vidas de judeus (16). Por essa razão muitos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, foram honrados pelo Estado de Israel. 

Não obstante isto, como o Papa João Paulo II reconheceu, ao lado desses corajosos homens e mulheres, a resistência espiritual e a acção concreta de outros cristãos não foi a que se poderia ter esperado de discípulos de Cristo. Não podemos conhecer quantos cristãos, em países ocupados ou governados pelas potências nazistas ou pelos seus aliados, constataram com horror o desaparecimento dos seus vizinhos judeus, mas entretanto não foram bastante fortes para elevar a sua voz de protesto. Para os cristãos este grave peso de consciência dos seus irmãos e irmãs durante a última guerra mundial deve ser um apelo ao arrependimento (17). 

Deploramos profundamente os erros e as culpas destes filhos e filhas da Igreja. Fazemos nosso aquilo que disse o Concílio Vaticano II na Declaração Nostra aetate, que de modo inequívoco afirma: «A Igreja... lembrada do seu comum património com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa caridade evangélica, deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de anti-semitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus» (18).

Recordamos e fazemos nosso quanto o Papa João Paulo II, ao dirigir-se aos chefes da comunidade judaica de Estrasburgo em 1988, afirmou: «Reafirmo de novo juntamente convosco a mais firme condenação de qualquer anti-semitismo e de todo o racismo, que se opõem aos princípios do cristianismo» (19). A Igreja católica, portanto, repudia toda a perseguição, em qualquer lugar e em qualquer tempo, perpetrada contra um povo ou um grupo humano. Ela condena do modo mais firme todas as formas de genocídio, assim como as ideologias racistas que o tornaram possível. Ao dirigir o olhar para este século, sentimo-nos profundamente tristes pela violência que atingiu grupos inteiros de povos e de nações. Recordamos, de modo particular, o massacre dos arménios, as inúmeras vítimas na Ucrânia dos anos 30, o genocídio dos ciganos, fruto também ele de ideias racistas, e tragédias semelhantes ocorridas na América, na África e nos Balcãs. Nem queremos esquecer os milhões de vítimas da ideologia totalitária na União Soviética, na China, no Camboja e noutros lugares. Nem sequer podemos esquecer o drama do Médio Oriente, cujos termos são bem conhecidos. Mesmo enquanto fazemos a presente reflexão, «muitos homens continuam a ser vítimas dos próprios irmãos» (20). 


V. Olhando juntos para um futuro comum 

Olhando para o futuro das relações entre judeus e cristãos, em primeiro lugar pedimos aos nossos irmãos e irmãs católicos que renovem a consciência das raízes judaicas da sua fé. Pedimos-lhes que recordem que Jesus era um descendente de David; que do povo hebraico nasceram a Virgem Maria e os Apóstolos; que a Igreja haure sustento das raízes daquela boa oliveira na qual foram enxertados os ramos da oliveira selvática dos gentios (cf. Rm 11, 17-24); que os judeus são os nossos caros e amados irmãos, e que, num certo sentido, são verdadeiramente «os nossos irmãos maiores» (21). 

No termo deste Milénio a Igreja católica deseja exprimir a sua profunda tristeza pelas faltas dos seus filhos e das suas filhas em todas as épocas. Trata-se de um acto de arrependimento (teshuva): como membros da Igreja, de facto compartilhamos tanto os pecados como os méritos de todos os seus filhos. A Igreja aproxima-se, com profundo respeito e grande compaixão, da experiência do extermínio, o Shoah, sofrida pelo povo judaico durante a segunda guerra mundial. Não se trata de simples palavras, mas antes de um empenho vinculante: «Correríamos o perigo de fazer morrer de novo as vítimas das mais atrozes mortes, se não tivéssemos a paixão da justiça e nem nos empenhássemos, cada um segundo as próprias capacidades, em fazer com que o mal não prevaleça sobre o bem, como aconteceu em relação a milhões de filhos do povo judaico... A humanidade não pode permitir que isto aconteça de novo» (22). 

Pedimos que a nossa tristeza pelas tragédias que o povo judaico sofreu no nosso século leve a novas relações com esse povo. Desejamos transformar a consciência dos pecados do passado em firme empenho por um novo futuro, no qual já não haja sentimento antijudaico entre os cristãos, nem sentimento anticristão entre os judeus, mas sim um respeito recíproco compartilhado, como convém àqueles que adoram o único Criador e Senhor e têm um comum pai na fé, Abraão. 

Por fim, convidamos os homens e as mulheres de boa vontade a reflectirem profundamente sobre o significado do Shoah. As vítimas desde os seus túmulos, e os sobreviventes através do vívido testemunho de quanto sofreram, tornaram-se um forte clamor que chama a atenção da humanidade inteira. Recordar este terrível drama significa tomar plena consciência da advertência salutar que ele comporta: às sementes infectadas pelo antijudaísmo e pelo anti-semitismo jamais se deve consentir que lancem raiz no coração do homem. 

16 de Março de 1998.


Cardeal Edward Idris Cassidy Presidente
 D. Pierre Duprey Bispo Titular de Thibaris Vice-Presidente 
Pe. Remi Hoeckman, O.P. Secretário 


NOTAS 
1) JOÃO PAULO II, Carta Apost. Tertio millennio adveniente (10/11/1994), 33: AAS 87 (1995), 25. 
2) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso por ocasião do encontro com a Comunidade judaica da cidade de Roma (13/4/1986), 4: AAS 78 (1986), 1120. 
3) JOÃO PAULO II, Angelus de 11/6/1995: Insegnamenti 18/1, [1995], 1712. 
4) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso à Comunidade judaica de Budapeste (18/8/1991), 4: Insegnamenti 14/2, [1991], 349. 
5) JOÃO PAULO II, Carta Enc. Centesimus annus (1/5/1991), 17: AAS 83 (1991), 814-815. 
6) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso aos Delegados das Conferências Episcopais para as Relações com o Judaísmo (6/3/1982): Insegnamenti 5/1, [1982], 743-747. 
7) Cf. Comissão da Santa Sé para as Relações religiosas com os judeus, Notas sobre o correcto modo de apresentar os judeus e o judaísmo na pregação e na catequese na Igreja católica romana (24/6/1985) VI, 1: Ench. Vat. 9, 1656. 
8) JOÃO PAULO II, Discurso aos participantes no encontro de estudo sobre «Raízes do antijudaísmo em ambiente cristão» (31/10/1997), 1: L'Osservatore Romano, ed. port. de 8/11/1997, pág. 4.
9) Cf. Nostra aetate, 4. 
10) Cf. B. STATIEWSKI (Ed.), Akten deutscher Bischöfe über die Lage der Kirche, 1933-1945, vol. I, 1933-1934 (Mainz 1968), Apêndice. 
11) Cf. L. VOLK, Der Bayerische Episkopat und der Nationalsozialismus 1930- 1934 (Mainz 1966), pp. 170-174. 
12) 14 de Março de 1937: AAS 29 (1937), 145-167. 
13) La Documentation Catholique, 29 (1938), col. 1460. 
14) AAS 31 (1939), 413-453. 
15) Ibid., 449. 
16) Organizações e personalidades judaicas representativas reconheceram várias vezes oficialmente a sabedoria da diplomacia do Papa Pio XII. Por exemplo, na quinta-feira 7 de Setembro de 1945 Giuseppe Nathan, Comissário da União das Comunidades Israelitas Italianas, declarou: «Em primeiro lugar dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice, aos religiosos e às religiosas que, actuando as directrizes do Santo Padre, não viram nos perseguidos senão irmãos, e com impulso e abnegação prestaram a sua obra inteligente e eficaz para nos socorrer, não tendo medo dos gravíssimos perigos a que se expunham» (L'Osserv. Rom. ed. quot. de 8/9/1945, pág. 2). No dia 21 de Setembro do mesmo ano, Pio XII recebeu o Dr. A. Leo Kubowitzki, Secretário-Geral do «World Jewish Congress», em audiência para apresentar «ao Santo Padre, em nome da União das Comunidades Israelitas, os mais sentidos agradecimentos pela obra realizada pela Igreja católica a favor da população judaica em toda a Europa durante a guerra» (L'Osserv. Rom. ed. quot. de 23/9/1945, pág. 1). Na quinta-feira, 29 de Novembro de 1945, o Papa recebeu cerca de 80 delegados dos refugiados judeus, provenientes dos campos de concentração na Alemanha, que vieram manifestar-lhe «a suma honra de poder agradecer pessoalmente ao Santo Padre a sua generosidade demonstrada para com eles, perseguidos durante o terrível período do nazifascismo» (L'Osserv. Rom. ed. quot. de 30/11/1945, pág. 1). Em 1958, por ocasião da morte do Papa Pio XII, Golda Meir enviou uma eloquente mensagem: «Compartilhamos a tristeza da humanidade... Quando o terrível martírio se abateu sobre o nosso povo, a voz do Papa elevou-se em favor das suas vítimas. A vida do nosso tempo foi enriquecida por uma voz que falou claramente acerca das grandes verdades morais, acima do tumulto do conflito quotidiano. Choramos um grande servidor da paz». 
17) Cf. JOÃO PAULO II, Discurso ao novo Embaixador da República Federal da Alemanha (8/11/1990), 2: AAS 83 (1991), 587-588. 
18) N. 4. 
19) N. 8: Insegnamenti 11/3, [1988], 1134. 
20) JOÃO PAULO II, Discurso aos membros do Corpo Diplomático (15/1/1994), 9: AAS 86 (1994), 816. 
21) JOÃO PAULO II, Discurso por ocasião do encontro com a Comunidade judaica da cidade de Roma (13/4/1986), 4: AAS 78 (1986), 1120. 
22) JOÃO PAULO II, Discurso por ocasião da comemoração do Holocausto (7/4/1994), 3: Insegnamenti 17/1, [1994], 897 e 893.

sábado, 28 de outubro de 1995

Declaração Nostra Aetate sobre a Igreja e as Religiões Não-Cristãs

Laços comuns da humanidade e inquietação religiosa do homem;

a resposta das diversas religiões não-cristãs e sua relação com a Igreja

1. Hoje, que o género humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a Igreja considera mais atentamente qual a sua relação com as religiões não-cristãs. E, na sua função de fomentar a união e a caridade entre os homens e até entre os povos, considera primeiramente tudo aquilo que os homens têm de comum e os leva à convivência.

Com efeito, os homens constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro género humano (1); têm também todos um só fim último, Deus, que a todos estende a sua providência, seus testemunhos de bondade e seus desígnios de salvação (2) até que os eleitos se reunam na cidade santa, iluminada pela glória de Deus e onde todos os povos caminharão na sua luz (3). Os homens esperam das diversas religiões resposta para os enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam seus corações: que é o homem? qual o sentido e a finalidade da vida? que é o pecado? donde provém o sofrimento, e para que serve? qual o caminho para alcançar a felicidade verdadeira? que é a morte, o juízo e a retribuição depois da morte? finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos?

Hinduísmo e Budismo

2. Desde os tempos mais remotos até aos nossos dias, encontra-se nos diversos povos certa percepção daquela força oculta presente no curso das coisas e acontecimentos humanos; encontra-se por vezes até o conhecimento da divindade suprema ou mesmo de Deus Pai. Percepção e conhecimento esses que penetram as suas vidas de profundo sentido religioso. Por sua vez, as religiões ligadas ao progresso da cultura, procuram responder às mesmas questões com noções mais apuradas e uma linguagem mais elaborada. Assim, no hinduísmo, os homens perscrutam o mistério divino e exprimem-no com a fecundidade inexaurível dos mitos e os esforços da penetração filosófica, buscando a libertação das angústias da nossa condição quer por meio de certas formas de ascetismo, quer por uma profunda meditação, quer, finalmente, pelo refúgio amoroso e confiante em Deus. No budismo, segundo as suas várias formas, reconhece-se a radical insuficiência deste mundo mutável, e propõe-se o caminho pelo qual os homens, com espírito devoto e confiante, possam alcançar o estado de libertação perfeita ou atingir, pelos próprios esforços ou ajudados do alto a suprema iluminação. De igual modo, as outras religiões que existem no mundo procuram de vários modos ir ao encontro das inquietações do coração humano, propondo caminhos, isto é, doutrinas e normas de vida e também ritos sagrados.

A Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens. No entanto, ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas (4).

Exorta, por isso, os seus filhos a que, com prudência e caridade, pelo diálogo e colaboração com os sequazes doutras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores sócio culturais que entre eles se encontram.

A religião do Islão

3. A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra (5), que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca. Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum.

E se é verdade que, no decurso dos séculos, surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.

A religião judaica

4. Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão.

Com efeito, a Igreja de Cristo reconhece que os primórdios da sua fé e eleição já se encontram, segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés e nos profetas. Professa que todos os cristãos, filhos de Abraão segundo a fé (6), estão incluídos na vocação deste patriarca e que a salvação da Igreja foi misticamente prefigurada no êxodo do povo escolhido da terra da escravidão. A Igreja não pode, por isso, esquecer que foi por meio desse povo, com o qual Deus se dignou, na sua inefável misericórdia, estabelecer a antiga Aliança, que ela recebeu a revelação do Antigo Testamento e se alimenta da raiz da oliveira mansa, na qual foram enxertados os ramos da oliveira brava, os gentios (7). Com efeito, a Igreja acredita que Cristo, nossa paz, reconciliou pela cruz os judeus e os gentios, de ambos fazendo um só, em Si mesmo (8).

Também tem sempre diante dos olhos as palavras do Apóstolo Paulo a respeito dos seus compatriotas: «deles é a adopção filial e a glória, a aliança e a legislação, o culto e as promessas; deles os patriarcas, e deles nasceu, segundo a carne, Cristo» (Rom. 9, 4-5), filho da Virgem Maria. Recorda ainda a Igreja que os Apóstolos, fundamentos e colunas da Igreja, nasceram do povo judaico, bem como muitos daqueles primeiros discípulos, que anunciaram ao mundo o Evangelho de Cristo.

Segundo o testemunho da Sagrada Escritura, Jerusalém não conheceu o tempo em que foi visitada (9); e os judeus, em grande parte, não receberam o Evangelho; antes, não poucos se opuseram à sua difusão (10). No entanto, segundo o Apóstolo, os judeus continuam ainda, por causa dos patriarcas, a ser muito amados de Deus, cujos dons e vocação não conhecem arrependimento (11). Com os profetas e o mesmo Apóstolo, a Igreja espera por aquele dia. só de Deus conhecido, em que todos os povos invocarão a Deus com uma só voz e «o servirão debaixo dum mesmo jugo» (Sof. 3,9) (12).

Sendo assim tão grande o património espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos.

Ainda que as autoridades dos judeus e os seus sequazes urgiram a condenação de Cristo à morte (13) não se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que então viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na Sua paixão se perpetrou. E embora a Igreja seja o novo Povo de Deus, nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura. Procurem todos, por isso, evitar que, tanto na catequese como na pregação da palavra de Deus, se ensine seja o que for que não esteja conforme com a verdade evangélica e com o espírito de Cristo.

Além disso, a Igreja, que reprova quaisquer perseguições contra quaisquer homens, lembrada do seu comum património com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa. caridade evangélica. deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de anti-semitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus.

De resto, como a Igreja sempre ensinou e ensina, Cristo sofreu, voluntariamente e com imenso amor, a Sua paixão e morte, pelos pecados de todos os homens, para que todos alcancem a salvação. O dever da Igreja, ao pregar, é portanto, anunciar a cruz de Cristo como sinal do amor universal de Deus e como fonte de toda a graça.

A fraternidade universal e a reprovação de toda a discriminação racial ou religiosa

5. Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: «quem não ama, não conhece a Deus» (1 Jo. 4,8).

Carece, portanto, de fundamento toda a teoria ou modo de proceder que introduza entre homem e homem ou entre povo e povo qualquer discriminação quanto à dignidade humana e aos direitos que dela derivam.

A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião. Consequentemente, o sagrado Concílio, seguindo os exemplos dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, pede ardentemente aos cristãos que, «observando uma boa conduta no meio dos homens. (1 Ped. 2,12), se ‚ possível, tenham paz com todos os homens (14), quanto deles depende, de modo que sejam na verdade filhos do Pai que está nos céus (15).

Roma, 28 de Outubro de 1965.

PAPA PAULO VI


Notas
1. Cfr. Act. 17,26.
2. Cfr. Sab. 8,1; Act. 14,17; Rom. 2, 6-7;1 Tim. 2,4.
3. Cfr. Apoc. 21, 23-24
4. Cfr. 2 Cor. 5, 18-19.
5. Cfr. S. Gregório VII, Carta III, 21 a Anazir (Al-Názir), Rei da Mauritânia: ed. E. Gaspar, em MGH, Ep. sel. II, 1820, I; p. 288, 11-15; PL 148, 451 A.
6. Cfr. Gál. 3,7.
7. Cfr. Rom. 11, 17-24.
8. Cfr. Ef. 2, 14-16.
9. Cfr. Lc. 19,44.
10. Cfr. Rom. 11,28.
11. Cfr. Rom. 11, 28-29; Cfr. Conc. Vat. II, Const. dogm. De Ecclesia., Lumen gentium: AAS 57, (1965), p. 20.
12. Cfr. Is. 66,23; Salm. 65,4; Rom. 11, 11-32.
13. Cfr. Jo. 19,6.
14. Cfr. Rom. 12,18.
15. Cfr. Mt. 5,45

Fonte: Vaticano

sábado, 17 de junho de 1989

São Paulo dá exemplo de diálogo inter-religioso

HÉLIO DAMANTE

Raras vezes se tem oportunidade de assistir, ao vivo, encontro de personalidades religiosas de diferentes credos, voltadas para a causa do diálogo inter-religioso, ponto de partida para a verdadeira prática ecumênica.

São Paulo teve esse privilégio, no último domingo, ao ensejo da entrega do "Prêmio Patriarca Abrão", instituído pela CNBB, ao cardeal holandês Johannes Willebrands, do Vaticano, e ao dr. Gerhart M. Riegner, de Genebra (Congresso Judaico Mundial), pela dedicação de ambos ao fortalecimento das relações entre católicos e judeus.

Especialmente significativa foi a presença como convidada da sra. Jehan Sadat, viúva do presidente do Egito, Anwar Sadat. As três grandes religiões monoteístas encontravam-se na cidade cosmopolita, onde vivem em harmonia tantos de seus seguidores, para um momento de solene afirmação. As radicais mudanças nas relações entre judeus e católicos, sempre ressaltadas pelo atual papa (que visitou a sinagoga de Roma), os progressos registrados no relacionamento entre muçulmanos e católicos, em meio aos rigores da lei islâmica, podem também chegar a judeus e muçulmanos, contribuindo para a paz mundial. E essa foi a lição colhida no domingo, em São Paulo, numa festa endereçada em princípio ao diálogo católico-judaico, mas que ampliou o leque, incluindo a religião que mais cresce no mundo atual: o islamismo...

Festa celebra o entendimento entre religiões

Com a festa de entrega do primeiro Prêmio Patriarca Abraão de Ecumenismo, no dia 11, em São Paulo, católicos e judeus devem celebrar o êxito de uma das mais importantes experiências de diálogo inter-religioso já realizadas no País. Desde 1981, quando da criação da Comissão Nacional de Diálogo Católico-Judaico, representantes dos dois agrupamentos oficializaram entendimentos sobre várias questões de ordem religiosa, e editaram um livro com orientações inéditas para o diálogo entre as duas comunidades.

Com essas iniciativas, os brasileiros dão prosseguimento a um projeto internacional de aproximação religiosa. Os agraciados com o prêmio são justamente o cardeal Johannes Willebrands, presidente da Comissão da Santa Sé para Relações Religiosas com os Judeus, e Gerhart Riengner, co-presidente do Comitê Internacional Judaico de Consultas Inter-Religiosas, ambos importantes peças do xadrez diplomático em que se desenvolvem esses entendimentos. "Essas experiências têm posto fim a conceitos equivocados que já duravam séculos", festeja o rabino Henry Sobel, da Congregação Israelita Paulista.

Há pouco mais de vinte anos, por exemplo, os católicos eram instados a orar pelo que a Igreja chamava de "conversão dos pérfidos judeus". Na Semana Santa, ainda eram comuns as cerimônias e representações em que os judeus eram responsabilizados pelo assassinato de Jesus, identificados com a turba que o teria preterido em favor do meliante Barrabás. Somente na década dos 60, no Concílio Vaticano II, foi decidido que não se podia atribuir a morte de Jesus ao povo judeu.

"Não há dúvida de que o Cristianismo tem uma dívida histórica com o Judaísmo", adverte o franciscano holandês frei Felix Neesjes, assessor da CNBB. Neesjes cita como exemplo o caso de Portugal, cujos governantes forçavam os judeus a se converter ao cristianismo.

Segundo o rabino Sobel, o próximo passo da comissão de ecumenismo é iniciar entendimentos com a comunidade muçulmana no Brasil. A oradora da festa da próxima segunda-feira será a muçulmana Jehan Sadat, viúva de Anwar Sadat, presidente assassinado do Egito. Entre os vários pronunciamentos da noite, os convidados ouvirão Milton Nascimento cantar alguns de seus sucessos.

Duas igrejas em busca do entendimento

Quando o mundo inteiro, notadamente os países onde a religião luterana é mais influente, comemora hoje os 500 anos do nascimento de Martinho Lutero, começam a surgir sinais de que as igrejas Católica e Protestante teriam mesmo intenção de superar ao menos algumas de suas divergências. Um exemplo disso é a disposição de um papa, João Paulo 2º, em cruzar, pela primeira vez desde que Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, o umbral de um templo "herético" em sua diocese romana, a Igreja Evangélica de Roma. Isso acontecerá no próximo dia 11 de dezembro, quando o Papa fará um sermão que, acredita-se, tenha o teólogo reformista como tema. Segundo a agência internacional de notícias AP, fontes do Vaticano revelaram ainda que as comemorações do 5º centenário são uma oportunidade de o Papa estender a mão ao reformista alemão.

De acordo com informações do pastor da Igreja Luterana, padre Christopher Meyer, reveladas na semana passada, João Paulo 2º já deu um importante passo para a revisão da posição da Igreja Católica com relação ao luteranismo ao enviar uma carta ao cardeal Johannes Willebrands, presidente da Secretaria para a Unidade dos Cristãos (o mesmo que em 1970 se referiu a Lutero como o "doutor comum das igrejas"). Segundo o pastor, o Papa reconhece, na correspondência, não somente "a profunda religiosidade" de Lutero como também afirma que a "ruptura da unidade eclesiástica" teve "raízes mais profundas" do que a incompreensão mútua entre católicos e protestantes.

A carta do Papa não constitui uma reabilitação de Martinho Lutero e tampouco anula a excomunhão aplicada a ele pelo papa Leão 10 e as diferenças existentes entre as suas religiões. Mas pede que continuem sendo realizadas pesquisas históricas imparciais com o objetivo de se conseguir uma imagem mais justa de Lutero e de sua época.

Boa vontade

Não são de hoje as tentativas de reaproximação entre as duas Igrejas. A primeira experiência, mal-sucedida, ocorreu em 1541, 20 anos depois da excomunhão de Lutero. Desde então, muita discussão acalorada surgiu entre os teólogos das duas correntes. Os principais esforços parecem constar do documento assinado por católicos e luteranos, cuja elaboração terminou a 30 de setembro último, ainda de acordo com a AP, resultado de um diálogo patrocinado pela Conferência dos Bispos Americanos e o Ministério Luterano Mundial. Entre os pontos sobre os quais os teólogos de ambos os lados concordaram está o reconhecimento de que católicos e protestantes podem "reconhecer-se mutuamente compartilhando...o mesmo Evangelho de amor redentor na fé". Entre as divergências que ainda persistem está a autoridade do Papa e o número de sacramentos.

Os teólogos reconhecem que "os abusos que ocasionaram a Reforma foram parcialmente corrigidos pelo Concílio de Trento (1545/1563) e pelo Concílio Vaticano 2º (1962/1965)", convocado por João 23, e admitem que na esfera luterana também "há necessidade de reformas contínuas". Embora tenham chegado a um acordo sobre diversos pontos, após anos de discussão (a reaproximação foi iniciada em 65), ninguém nega que houve progressos.

Comemorações na Alemanha

Na Alemanha Oriental, as comemorações do aniversário do nascimento de Martinho Lutero adquiriram contornos políticos. Ao discursar na ópera de Berlim Oriental, o deputado Gerald Goettinag afirmou esperar que a cooperação entre o Estado e a Igreja, nas celebrações do 500º aniversário de Lutero, hoje, sirvam de base para um trabalho conjunto no futuro...


Fonte: O Estado de São Paulo, 17 de junho de 1989, p. 26. / Blog Acervo Profético

segunda-feira, 30 de junho de 1986

Guia para o Diálogo Católico Judaico - Glossário

ABLUÇÃO – Lavagem ritual. Existem três tipos de lavagem ritual que têm como objetivo a remoção das impurezas, antes das práticas religiosas : a) imersão completa na mikváh; b) lavagem dos pés e das mãos (sacerdotes nos serviços do templo); c) lavagem das mãos, ao levantar-se e antes das orações.
ACADEMIAS TALMÚDICAS – Instituições de ensino superior judaico. Podem ser comparadas com as atuais universidades modernas. Além do ensino, eram fontes da legislatura e dogmática.
ADIR HU – (Hebr) "O Todo-poderoso": Hino popular cantado durante o Sêder (Ceia de Páscoa) após a leitura da Hagadáh.
ADONÁÏ – Um dos nomes de Deus, na Bíblia. Significa "meu Senhor". É plural majestático.
ADÔN OLÁM (Hebr) – "Senhor do Universo". Um dos mais conhecidos hinos da liturgia judaica. É cantado em todos os ritos: sefaròdí a ashkenazi.
ADOSHÊM – Palavra composta de Adonáï e Ha-shêm, usada na liturgia para evitar a pronúncia do nome divino.
AFIQOMAN – Na noite de Pessah ao se dividir a "matsóh" de meio (das três que estão no prato do Sêder) guarda-se o pedaço maior o qual recebe o nome de Afikoman. Este será dividido no fim da refeição como o último pedaço a ser comido na noite.
AGADÁH – Hagadáh - Narração. Termo genérico, definindo as partes do Talmud (ciência dos rabinos), que não são do tipo de leis. A Hagadáh consiste em folclore, narrativas, lendas, parábolas, interpretações alegóricas e também abrange todas as ciências, como filosofia, medicina, matemática, astronomia, teologia.
ALEINU (Or) – Primeira palavra da oração: "`Aleinu leshabeah" – "Devemos glorificar" ou "Glorificado seja", que encerra o ofício diário, litúrgico. A oração proclama a necessidade de louvar a Deus.
ALELUIA (Hebr) – HaLeLUYóH "Glorificai a Deus". Expressão usada no início e no final de certos salmos, na liturgia judaica. A mesma palavra é usada na liturgia cristã.
ALFABETO HEBRAICO – O alfabeto hebraico moderno consiste de vinte e duas letras, todas consoantes, tendo algumas também uma função vocálica. Os caracteres são escritos e lidos da direita para esquerda. de modo que as páginas e linhas de livro hebraico começam à direita. Não existe distinção entre as maiúsculas e minúsculas. Todos os caracteres são escritos separadamente.
`AL HET (Or) – "sobre pecado". Confissão dos pecados. Reza repetida 10 vezes durante o dia de Yôm Kipúr. Ela contém uma lista de erros que se comete na vida diária, seja por orgulho, seja por inveja, por mexericos, por falta de respeito e muitíssimas outras razões.
`ALIYÁ H (Hebr) – Subida. Ato de ser chamado à leitura da Torá. Expressão usada nos tempos modernos para a emigração para a Terra Santa.
AMÊN – Assim seja. Expressão religiosa usada hoje por quase todas as religiões e por todas as nações. Na Bíblia aparece a palavra 25 vezes. As letras que compõem a palavra Amên em hebraico significam El Mélek Neemán – Deus, Rei Fiel.
`AM HA-ÁRETS (Hebr) – "Povo da terra". Expressão bíblica para o povo em geral.
`AMIDÁH (Or) – De pé. Principal oração suplicatória da liturgia judaica. Oração composta de 19 bênçãos que se recita em voz baixa e de pé.
AMORAÍM – Rabinos que explicaram e comentaram a Mishnáh desde a compilação desta, aproximadamente 200 anos após a Era Comum até a conclusão do Talmud babilônico, no ano 500.
`AMUD – Púlpito, onde se reza, durante o ofício religioso. Para os sefaradím, o mesmo que Bimáh.
ANJOS – A crença em anjos jamais foi considerada básica ou indispensável ao judaísmo. Hoje, os judeus renunciaram, definitivamente, à crença em anjos, e voltaram ao ponto de vista racionalista de alguns dos filósofos judeus medievais. Os anjos figuram em nossa poesia religiosa e aparecem em algumas das orações, mas eles não constituem assunto de preocupação intelectual ou espiritual.
ARAMAICO – Idioma semítico aparentado com o babilônico, assírio e hebraico, usado pelos judeus na Palestina, depois do retorno do exílio da Babilônia (536 a.C.).
ARAVÁ (Hebr) – `Aròbóh - Salgueiro. A quarta espécie de vegetação ordenada pela Toráh para ser usada na festa dos Tabernáculos (Lv 23,40). É batida contra o solo como parte do Hoshaná Rabáh.
ÁRB`A KANFÔT (Hebr) – Literalmente: Quatro asas. Também chamado Talit Qatan. Veste quadrangular que é usada sob a camisa com franjas (tsitsít) em cada um dos quatro cantos. Deve lembrar ao judeu a obediência aos mandamentos e que Deus está nos quatro cantos do Universo, ou seja, a onipresença divina.
AREIVUT (Hebr) – Termo hebraico que determina uma responsabilidade coletiva.
ARÔN HAKÔDESH (Bibl) – Tabernáculo em que se guardavam as tábuas da lei mosaica.
ASHKENAZÍM – Nome dado aos israelitas procedentes da Alemanha, Norte da França, Europa Central e Oriental.
AVEILÍM – Abelím - Enlutados. Consideram-se "enlutados" os membros mais próximos da família da pessoa que acaba de falecer.
AVERÁH (Hebr) – `Aberáh - Pecado. Significa desobediência a um mandamento ou violação de uma lei. No Talmud esta palavra é empregada para designar o pecado contra os homens e contra Deus.
AVINU MALKEINU (Or) – Abinu Malkênu - "Nosso Pai, Nosso Rei". Oração que começa com estas palavras, proferida em Rôsh Hashanáh, Yôm Kipúr, nos dez dias de penitência e dias de jejum. Invoca a bênção de Deus e pede livrar-nos das guerras, da fome, das doenças, e pede perdão pelos pecados.
AVODÁH (Hebr) – `Abodáh - Serviço, oração. Liturgia do "muçaf" de Yôm Kipúr.
AZHARÔT – Canções litúrgicas dos 613 mandamentos divinos da Toráh.
BA’AL QORÊ – Pessoa encarregada da leitura pública da Toráh, nos ofícios religiosos.
BA’AL TESHUBÁH – Termo hebraico que significa "penitente". Segundo o ensino rabínico, o homem que passou pelo ato de sincero e profundo "arrependimento", deve resistir à tentação de voltar ao caminho do mal.
BAMIDBAR (Bibl) – O quarto livro da "Lei de Moisés", foi denominado, em hebraico "Bamidbar" (no deserto), pois nele é narrada a história dos israelitas em sua longa permanência no deserto.
BAR MITZVÁH – O jovem judeu ao atingir a idade de 13 anos, contados pelo calendário hebraico, converte-se em Bar Mitzváh, ou seja, pela tradução literal, "Sujeito ao Mandamento". Isto significa que a partir desta data está "sujeito", isto é, deve participar e praticar todos os 613 mandamentos divinos, sendo ele mesmo responsável por todos os seus atos.
BARUH HA-BA (Hebr) – Textualmente: "Abençoado seja aquele que chega". Saudação de boas vindas. Termo usado para cumprimentar um amigo ou visitante.
BEIT DIN – Antigo Tribunal para assuntos religiosos, civis e criminais. Hoje funciona somente como tribunal para decisões rituais e para arbitragem.
BEIT HAMIDRASH – Casa de estudo, antigamente anexa às sinagogas, como local de estudos cotidianos dos adultos.
BEIT HAMIQDASH – Templo dos israelitas para onde peregrinavam três vezes ao ano, em Jerusalém.
BEN (Hebr) – Filho. Figurativamente, pertencente a... Palavra usada em hebraico em combinação com um substantivo para indicar um objetivo, de modo parecido com "ba`al" (senhor) e "ish" (homem).
BERAKÁH (Hebr) – pl. "Berakôt" – Bênção de ação de graça. Curta reza, de agradecimento, dirigida a Deus. Todas as "berakot" começam com a frase: "Baruk atá Adonáï..." - "Louvado seja Deus". Estas palavras exprimem a eterna gratidão ao Senhor, e suas infinitas atribuições.
BERESHÍT (Bibl) – O primeiro livro do Pentateuco chama-se Gênesis, isto é, "origem" e em hebraico Bereshít, que significa "no princípio". Esses títulos são adequados a um livro que trata da criação do mundo, das origens do gênero humano e da iniciação da história do povo hebreu.
BEÇAMIM – Perfume especial (cheiro aromático, em geral de cravos) usado no rito final do sábado (Habdaláh), guardado num estojo (artisticamente feito). Ao sentir o aroma o judeu que se sente triste e abatido ao ver partir o Shabat, deve se sentir revigorado.
BIMÁH – Púlpito para a leitura da Toráh, na sinagoga. Os ashkenazím o denominam Amud.
BIRKAT HAGOMEL (Or) – "Bênção do benfeitor". Oração que pronuncia a pessoa após a cura de uma enfermidade grave ou após escapar de outro grave perigo. Segundo a tradição rabínica, a pessoa deve expressar o seu agradecimento a Deus, seu benfeitor.
BIRKAT HAMAZON (Or) – "Oração que se pronuncia à mesa" depois de cada refeição e principalmente ao fim das Se`udôt, ceias religiosas.
BIRKAT KOHANÍM (Or) – "Bênção sacerdotal". Este rito iniciou-se nos serviços de Templo em Jerusalém. Continua nos dias de hoje. A bênção é pronunciada pelos "kohaním" e tornou-se elemento importante na liturgia da sinagoga.
B’NAI B’RITH (Hebr) – "Filhos da Aliança". Denominação da instituição de fins fraternais, filantrópicos, éticos e educacionais, fundada em Nova York (1843) e com numerosas "lojas" no mundo inteiro.
B"NEI YISRAEL – Denominação do povo hebreu. Tradução literal: "Filhos de Israel". Termo encontrado freqüentemente na Bíblia. Esta denominação é também dada ao grupo de judeus da Índia.
B’RIT (Hebr) – Aliança. Entendimento entre Deus e pessoas ou nações. A Bíblia cita diversas alianças.
B’RIT MILA (Ri) – Ato de circuncisão onde o menino varão é circuncidado e se incorpora à comunidade. Além de ser uma necessidade higiênica, a prática da circuncisão tem para o israelita sentido religioso muito elevado.
CÂNTICO DOS CÂNTICOS – Em hebraico "Shir HaShirím", atribuído ao rei Salomão. Lê-se no Sábado de Pessah.
CAVANÁH (Hebr) – Concentração do pensamento durante a reza.
CAVOD (Hebr) – Kabôd - Peso. Honra, glória, veneração, consideração.
CRIPTO-JUDEUS – Judeus convertidos à força; exercendo ocultamente a sua religião.
DARUSH (Hebr) – Prédica, sermão.
DAYAN (Hebr) – Juiz. Assessor num tribunal rabínico. Pessoa encarregada de pronunciar a sentença num julgamento.
DEUS – É o ente criador, ordenador, mantenedor e Senhor absoluto de todas as coisas.
DEVARIM (Bibl) – Debarím - O quinto livro da "Lei de Moisés" denomina-se em hebraico Debarim, o que significa "palavras", pela razão de começar este livro com "Êllèh Hadebarím" (estas são as palavras). Contém a maior parte da religião israelita e sua filosofia.
DIÁSPORA (Gr) – A palavra é de origem grega e significa "dispersão". Afirma-se que os judeus do período helenístico empregavam este termo para designar aqueles dos seus correligionários que, tendo se espalhado por nações estrangeiras desde a queda da primeira comunidade, viviam fora do território de Israel. A Setenta traduz expressões que na Bíblia são reportadas comumente com o sentido de terror ou opressão pela palavra "Diáspora" (za`aváh).
DIN (Hebr) – Julgamento. Prescrição religiosa. Lei rabínica.
DIN TORÁH – Arbitramento, litígio solucionado perante um tribunal rabínico, com arbitragem, de acordo com a legislação judaica.
DRUSH (Hebr) – Interpretação dos textos bíblicos e talmúdicos. A palavra Drasháh (sermão) é derivada da mesma raiz.
`EDUT (Hebr) – Testemunho; lei; preceito ou ordem.
`EITS HAYÍM (Hebr) – Textualmente: árvore de vida; a Toráh é considerada "árvore de vida" para os que nela se asseguram. Especificamente: dois paus de madeira, arredondados nos quais é enrolada a Toráh.
ELIYÁHU HANABI (Hebr) – Literalmente: Eliyáhu, o profeta, esperado como o Proclamador da vinda da Era Messiânica. Canção da despedida do Shabat.
ELOHIM (Hebr) – Nome genérico de Deus entre os patriarcas. A forma simples é Eloáh. É freqüente na Bíblia o emprego do plural pelo singular.
EMET (Hebr) – Verdade
EMUNÁH(Hebr) – Fé. No sentido religioso o termo designa a crença na existência de Deus, sem necessidade da sua comprovação científica ou lógica.
`EREB (Hebr) – Véspera ou tarde. Período entre o crepúsculo e o aparecimento de três estrelas, no céu, visíveis a olho nu. A palavra é usada em combinação com os nomes dos dias festivos ou do sábado. "`Ereb-Shabbát"– véspera de sábado ou a noite da sexta-feira. "`Ereb-Peçah"– véspera da Páscoa etc.
ESCRIBAS – Eram os amanuenses, os notários, os secretários e os intelectuais entre os antigos. Encarregavam-se das edições e das transcrições dos livros, particularmente os sagrados, entre os hebreus.
EXILARCA – "Principe do exílio", representante dos judeus que viviam em Babilônia, no século III, reconhecido pelo Estado, com autonomia administrativa e cultural, descendente da casa de Davi.
ÊXODO (Bibl) – Segundo livro do Pentateuco.
FESTAS DE PEREGRINAÇÃO (Tr) – Peçah, Shabu`ôt e Çukôt chamam-se em hebraico "Shalôsh Regalím" as três dos pés (festas de peregrinação).
FILO-SEMITAS – Nome dado aos amigos e defensores do povo judaico. Antônimo do anti-semita.
GABAÏ (Hebr) – Funcionário da comunidade (tesoureiro e administrador). Recebia donativos e, durante a Idade Média, os impostos dos membros da comunidade. É uma função de honra desempenhada por membro de destaque da comunidade.
GALÚT (Hebr) – Diáspora; dispersão. Nas épocas bíblicas a palavra significava refúgio e ao mesmo tempo proteção dada ao refugiado. Após a destruição do segundo Templo a palavra significa dispersão, ou seja, a situação dos judeus espalhados pelo mundo.
GEMATRIA – Procura de explicação na significação do valor numérico das letras do alfabeto hebraico como também a respectiva composição das palavras.
GOÊL (Hebr) – Salvador; Redentor, Messias.
GUEMARA – Do aramaico "guemar" – aprender, completar. Ampliação talmúdica das Decisões legais da Mishnáh. A Guemara faz parte do Talmud e constitui antiquíssima obra clássica da lei judaica.
GUETO – A palavra designa o lugar, rua, bairro, onde os judeus moravam, durante a Idade Média. Durante a ocupação nazista voltou o sistema do "gueto" para os judeus em diversos países europeus.
GUIA DOS PERPLEXOS (Fil) – Título da importante obra de Maimônides.
HAFTARÁH – Trecho dos Nebiím (Profetas) que se lê em voz alta, na sinagoga, após a leitura da Toráh. O texto da Haftaráh trata geralmente de assunto similar ao texto da Toráh e ao qual corresponde.
HAGADÁH (Hebr) – Narração. Livro modesto, mas o mais popular da literatura hebraica, apresenta em forma de antologia um esquema simples e impressionante da origem do judaísmo. Na noite de Seder (véspera de Pessah), cada pai relata a seu filho a história do êxodo.
HALÁH – pl. halôt – Os dois pães de sábado, em lembrança da porção de maná que os israelitas recolhiam no deserto, na véspera do sábado. Oferenda da massa que o israelita separa para o "Kôhên". Antes de se preparar a hallóh faz-se uma bênção e este mandamento toca principalmente às mulheres. HALAKÁH – pl. halakôt – "Curso". Lei Judaica. Este termo é empregado de duas maneiras, significando ou uma decisão legal específica, ou a totalidade da lei.
HALÊL (Or) – "Louvor". Salmos 113-118, incluídos na liturgia judaica, são de louvor.
HAMAQÔM (Hebr) – Lugar. Nome de Deus, do Céu e da onipresença divina. Usa-se na liturgia esta expressão para o "lugar sagrado".
HAMÊTS – Alimentos na base de cereais fermentados que devem ser retirados da casa durante os oito dias da festa do Peçah. HAMMOTSI – Bênção do pão que se faz antes de começar uma refeição.
HANUKÁH – Festa das Luzes. Significa em hebraico "inauguração". Refere-se neste caso, à inauguração do Templo de Jerusalém, no ano 168 a.C. Durante oito dias acende-se, diariamente uma vela, num candelabro especial (hanukiyáh) e celebra-se alegremente esta festa nos lares.HARÔÇET – Um dos símbolos de Peçah. A harôçet é uma mistura de maçãs, nozes, amêndoas, tâmaras ou passas trituradas, cuja cor lembra a do barro que os israelitas eram obrigados a fazer no tempo da escravidão do Egito. HASHÊM (Hebr) – O nome. Designação de Deus, que aparece pela primeira vez na Mishnáh.
HASKALÁH – Termo hebraico. Literalmente: inteligência, ilustração, sabedoria. Designa o movimento de renovação do judaísmo iniciado na Alemanha, em meados do século XVIII sob a direção do Mendelson.
HASSID – Chaçíd - Literalmente "piedoso". Membro ou adepto do movimento "haçídico", de orientação mística, pietista – movimento renovador religioso dos judeus do Leste-Europeu, do século XVIII. HATIQVÁH – Hino nacional do Estado de Israel.
HAVDALÁ – Habdaláh – Cerimonia de despedida no dia de Sabbat. A palavra hebraica significa "distinção" entre o sacro e o profano.
HAZÁN (Ri) – (Hebraico), Cantor. Pessoa que conduz as orações durante o serviço religioso, nas sinagogas. HEBREU – Da raiz da palavra "`ivri" que significa alguém do além-rio (Eufrates). Propriamente a palavra deve ser aplicada somente para os israelitas (judeus) antes do exílio babilônico, no ano 586 a.C. Depois desta data, tornou-se aceito o termo "judeu" (de Judá).
HÉDÈR (Hebr) – Escola primária. Introdução da criança judia ao estudo do hebraico e da Bíblia.HÊRÈM (Hebr) – Excomungar; banir; excluir da congregação judaica.HÉSED – Héçèd - Amor. Amor de Deus. Da parte do homem: a obrigação – mitsváh.HÔL-HAMMÔÊD (Medianos) – Dias intermediários das festas Péçah e Çukôt, ou seja, semifesta. Nestes dias os trabalhos indispensáveis são permitidos. HOSHA`NÁ (Hebr) – pl. hosha`nôt – Poesia litúrgica que termina com o estribilho: – "hosha`ná" – "Ajuda-nos, ó Deus". "Salva-nos, ó Deus". Reza-se na festa de Sukôt.
HOSHA`NA RABÁH (Hebr) – Grande Hoshaná. Sétimo dia do Sukôt.
HUP`ÁH (Hebr) – Pálio nupcial, sob o qual ficam os noivos durante a cerimônia de casamento. ISRAELI – Yisreêlí - Israelense. Cidadão do Estado de Israel. israelita é uma expressão bíblica; yisreêlí uma expressão cívica.
IVRIT – `Ibrít - Língua hebraica.
JEJUM – O jejum tem três propósitos distintos, na fé judaica: auto-renúncia, luto e súplica. Além do Yôm Kipúr, diversos jejuns menores são observados pelos ortodoxos, o mais importante dos quais, o Dia das Lamentações, Tish`áh Be‘áb, o nono (dia) no (mês) Ab.
KABALÁ – Qabbaláh - Denominação de misticismo judaico. Sistema de magia e pensamento místico, popular entre os judeus, na baixa Idade Média.
KADISH (Or) – Qaddísh - Oração na qual são louvadas a santidade de Deus e seu Reino. É rezada em idioma aramaico, exceto o último verso, em diversas partes dos serviços religiosos. Os filhos a rezam por ocasião do enterro, no ano primeiro de luto e nos aniversários do falecimento dos pais. Também parentes próximos rezam-na. Não contém menção da morte.
KAFTAN – Qaftán – Capota comprida, preta, usada nos tempos medievais pelos judeus tradicionais, na Europa Oriental. Esta vestimenta conservou-se em certos círculos dos judeus ortodoxos, até os tempos modernos.
KALLÁH (Hebr) – Noiva.
KASHÊR – Alimentos permitidos pelas leis judaicas, "apropriado para comer, limpo". Excluiu-se da alimentação judaica a carne de determinados animais, cujos parasitas são portadores de enfermidades. Segundo a lei judaica, nenhum animal que haja estado enfermo ou que haja morrido acidentalmente, é "kashêr".
KEDUSHÁ – Qedusháh - Consagração. Trecho daquela oração cujo nome deriva da citação do tríplice Qadôsh (Santo), atribuído a Deus.
KEHILÁ (Hebr) – Qehilláh – Comunidade coletiva. Congregação.
KETUBÁH – Contrato matrimonial judaico, que estabelece as obrigações entre as partes, como também prevê uma penalidade monetária, no caso de divórcio, sendo uma antiga medida para prestigiar os direitos da mulher.
KETUBIM (Hebr) – Ketubím - Terceira parte da Bíblia, em termo grego: Hagiógrafos. Abrange os Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Livro das Lamentações, Qoélet, Ester, Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas.
KIDDÚSH – Cerimônia da benção o vinho, pronunciada na véspera do Shabat (sexta-feira à noite).
KINÁ – Qináh - Lamentação. Versos poéticos lidos nos dias de luto. Poesias compostas por diversos poetas sobre o tema da destruição do Templo e outros episódios tristes da história judaica.
KIPPÁH (Hebr) – Solidéu. Cobertura da cabeça. Um costume tradicional exige que os judeus cubram a cabeça em todas as ocasiões, especialmente durante a reza, nas reuniões e durante as refeições. Os judeus liberais dispensam esta atitude, conservando somente este costume nas sinagogas e durante as cerimônias religiosas.
KOHÊN (Hebr) – pl. Kohaním – Descendentes da família sacerdotal de Aarão. Conforme o espírito da Toráh e do Talmud, os "kohaním" não são seres superiores que dão a sua bênção, porém, o veículo por intermédio do qual, a bênção de Deus desce para o povo.
KÓL NIDRÊ (Or) – Todas as promessas. Oração dita na noite de Yôm Kipúr e que dá o nome à véspera deste dia, segundo a qual declara-se que todas as promessas, votos, juramentos etc. que se têm feito forçadamente ou sob coação durante o ano anterior e vindouro em relação a si mesmo, fiquem nulos. Esta oração, teve excepcional importância na época nas perseguições dos marranos do século XV.
KOTEL HAMAARAVI – Qôtél Hamma`arabí – O Muro ocidental de Templo de Jerusalém, o único que não foi destruído, e tomou-se o muro das lamentações.
LADINO (Ling) – Dialeto-espanhol arcaico falado pelos sefaradim da Grécia, Turquia, Norte da África, Portugal e Espanha, descendentes das comunidades expulsas da Península Ibérica, no século XV.
LAG-BA`OMER (Tr) – 33° dia no `Omer. Dia semifestivo que se celebra no trigésimo terceiro dia do mês de `Omer.
LAMENTAÇÕES – Parte dos Cinco Rolos (Hamêsh Meguillôt) que fala sobre a queda de Jerusalém e a destruição do Templo (586 a.C.). Esta pequena obra abrange cinco capítulos e a autoria é atribuída a Jeremias.
LASHÔN HAR`Á – Falsche Anklage gegen den Ruf, als eine der widerlichsten Sünden angesehen, sowohl in der Bibel als auch in der gesamten rabbinischen Literatur.
LEI ORAL (Hebr) – Toráh Shebe`al-pé. Leis não escritas, transmitidas oralmente de geração em geração, que determinam a aplicação das leis bíblicas na vida cotidiana.
LEVAYÁH – Ato de acompanhar um morto à sua última morada; ritual para acompanhar a pessoa que vai viajar.
LITURGIA – Existem diversos ritos os quais surgiram em diversas épocas e em diversos países. As três principais formas litúrgicas são: Ashkenazí (dos judeus da Europa Central), Çefaradí (dos judeus espanhóis, portugueses, turcos etc.) e Yemenita (parecido com o sefaradí, usado no Oriente). A liturgia básica é dividida em serviços da manhã (Shaharít), da tarde (Minhá) e da noite (Ma`aríb). São usados livros de orações, para dias normais e Sábado: Çidur, e para grandes festas: Mahazôr. As rezas (orações) têm a sua cronologia, mas em diversos ritos têm diferentes e variadas execuções.
LUA NOVA – Neumond - O novo mês, do calendário judaico, é determinado pela mudança da lua. O primeiro dia do mês (Rôsh¯hôdesh) é celebrado liturgicamente, e a lua nova anunciada na sinagoga, durante o Shabat que a precede, com uma oração, que contém um pedido de um mês próspero e abençoado.
LUAH (Hebr) – Calendário judaico.
MA`ARIB (Or) – Prece vespertina. Oração noturna que se reza desde que o céu começa a estrelar-se.
MAFTÍR – A última pessoa chamada à Toráh, no Sábado.
MAGUÊN DAVÍD (Hebr) – Escudo de Davi. Emblema, distintivo do povo judeu, formado por dois triângulos entrelaçados.
MAHAZÔR (Or) – Ciclo ou período. Livro de orações existentes para cada festa, comumente usado para designar o livro de reza de Rosh Hashanáh e Yôm Kipúr.
MA`ÔS TSUR (Or) – Hino de Hanukáh.
MAROR (Hebr) – Amargo. Nome das ervas amargas, que pertencem à ritual e tradicional mesa do Çêder no primeiro e segundo jantar das festas do Péçah e que lembra a vida amarga dos judeus perseguidos no Egito.
MARRANO – Cripto-judeu; aquele que foi forçado, diante da perseguição anti-semita, a encobrir o fato de ser judeu. O termo é etimologicamente difícil de explicar; no português é substituído por "cristão-novo".
MA¯TÔBU – Primeiras palavras do versículo de Nm 24,5 que se usam nas primeiras orações de manhã ao entrar na sinagoga.
MATSÁH (Tr) – pl. matsôt – Pão ázimo, sem levedura, que se come durante o 7 (em Israel) ou os 8 (na Diáspora) dias da Festa de Péçah.
MATSÊBÁH (Hebr) – Túmulo. Termo usado em geral; para a cerimônia de inauguração da pedra tumular.
MAZZÁL-TÔB (Hebr) – Boa sorte. Forma de felicitação. Expressão com que se felicita alguém por ocasião de algum acontecimento alegre.
MEGUILAT ÈSTÊR (Hebr) – Rolo de Èstêr. Relato da Bíblia, que conta a história referente à festa de Purím; com a salvação do povo de Israel por Mòrdòkái e a rainha Èstêr.
MÊS – O mês do calendário judaico é composto de 4 semanas. O ano judaico tem 12 e 13 meses. O início do mês está ligado à mudança da lua, sendo o calendário judaico baseado no ciclo lunar.
MEZUZÁH – Símbolo religioso colocado no lado direito dos umbrais das portas, à entrada. É um pergaminho que contém os dois primeiros parágrafos do Shemá`, enrolado e colocado num estojo, que tem uma abertura ou uma saliência na qual se distingue a palavra "Shadáï", "Todo-poderoso".
MIDRÁSH – Interpretação da Bíblia. As compilações midráshicas contêm a literatura rabínica do período talmúdico.
MIKVÁ – Miqváh - Banho ritual. A água deve ser de fonte natural ou rio. Há também prescrições referentes à quantidade de água do mikváh. O banho ritual é considerado pelos praticantes como indispensável.
MINHÁH(Or) – Prece da tarde, antes do pôr-do-sol.
MINHÁG (Hebr) – Costume. O costume ocupa um lugar importante na tradição judaica. Além das leis escritas e orais, certos costumes tornaram-se obrigatórios e fazem parte da vida judaica.
MINYÁN – Grupo de 10 homens no mínimo, maiores de 13 anos, que a tradição judaica requer para a realização de qualquer ato religioso de caráter público.
MISHLÊI (Hebr) – Livro dos Provérbios.
MISHNÁH (Hebr) – Repetição. Código de leis civis e religiosas compiladas mais ou menos em 200 a.C. A Mishnáh constitui a base do Talmud. É um informe das sentenças proferidas por uma linha de analistas e juizes. Abrange um período de quase 400 anos. Rabi Judá, o Príncipe, abastado sábio da Palestina, compilou a Mishnáh.
MITSVÁH (Hebr) – pl. mitsvôt – Mandamento; preceito religioso. Segundo o Talmud existem 613 preceitos, além dos mandamentos decretados pelos rabinos.
MIZRAH (Hebr) – Oriente. Rezando, os judeus se dirigem na direção do oriente, isto é, com rosto e olhos dirigidos para Jerusalém. Também neste sentido estão construídas as sinagogas.
MODÊH ANI (Or) – Primeira reza, pronunciada de manhã. "Dou graças perante ti, ó Rei vivo e existente, que devolveste a minha alma com piedade, grande é nossa fé em ti".
MOHÊL – Judeu que executa o rito da circuncisão.
MUSÁF (Or) – Oração que se acrescenta às preces da manhã dos sábados e festas, correspondente aos sacrifícios suplementares que se faziam nesses dias.
NASSI (Hebr) – Príncipe. Título conferido ao presidente do Çanhedrín, que era ao mesmo tempo chefe leigo da comunidade judaica da Palestina.
NEDABÁH (Hebr) – Dádiva voluntária.
NÊDER (Hebr) – Voto, promessa.
NÉFESH (Hebr) – Termo traduzido algumas vezes por vitalidade. Algumas vezes como personalidade. Em Dt 12,23 ela se refere ao sangue que é o que leva a vida através do corpo. Néfesh é uma das cinco palavras que se referem a alma.
NE`ILÁH (Hebr) – Fechamento. A última parte do cerimonial de Yôm Kipúr, dia mais importante do ano. Depois de todo um dia de meditação e reza com o entardecer a imagem criada é que as portas dos céus se fecham, daí o nome Ne`ilá, fechamento.
NÊR TAMID (Hebr) – Luz eterna. Encontra-se em todas as sinagogas uma luz que é conservada constantemente acesa, simbolizando o fato de que a luz da Toráh brilhará eternamente.
NESHAMÁH (Hebr) – Termo traduzido geralmente como respiração ou psique. Esse termo refere-se usualmente à qualidade espiritual do homem, depois que o espirito, a Ru`ah, torna o homem uma Neshamá; um ser psíquico.
NESSUÍN (Hebr) – Casamento religioso.
NEVIIM – Nebiím - Profetas.
PARASHÁ (Hebr) – ou Perashá, pl. parashiyôt – Parágrafo massorético em que se dividem os textos da Toráh; para os sefaradim é a seção semanal que se lê publicamente nas sinagogas nos sábados; o mesmo que "sidráh" para os askenazim.
PARÔKET – Cortina que se coloca diante da arca santa, na sinagoga. Véu que separa o lugar da Santidade (Qôdesh) do lugar da Santidade de Santidades (Qôdesh Haqqodashím) no Templo.
PASSUL (Hebr) – paçul - Desqualificado, defeituoso. Termo usado para objetos rituais inaceitáveis, por algum motivo.
PATRIARCAS – Abraão, Isaac e Jacó – são os três primeiros homens que adoravam a Deus. São os patriarcas do povo judeu.
PÉÇAH – Nome hebraico da Páscoa. Celebra-se a lembrança da libertação dos israelitas da escravidão do Egito, que ocorreu no dia 14 do mês hebraico Niçán, aproximadamente 1280 anos a.C.
PÉÇEL (Hebr) – Imagem. Não somente a adoração de imagens é proibida pelas leis bíblicas (Ex 20,4; Dt 7,5), mas também a sua confecção.
PILPÚL (Hebr) – Debate. Sistema de interpretação. Esclarecimento. Matéria introduzida no séc. XVI nos estudos talmúdicos.
PIRQEI ABÔT – "Ética dos pais". Trata-se de pronunciamentos e ditames dos Sábios do Talmud, que nos legaram, sob o nome de "Capítulo dos Pais" um tesouro de valores éticos, do qual o mundo tem-se servido durante dois milênios.
PIYUT – Poesia litúrgica, adicionada ao ritual a partir do século VII d.C. Seus compositores são chamados Payyetaním.
PURÍM – Festa celebrada no dia 14 de Adar ou Ve-Adar. Comemora um episódio da vida judaica na Pérsia, e sua heroina é Ester, a esposa do rei Ahasvêrus .
RABI – Meu mestre. Originariamente o título era aplicado a um doutor da "Mishnáh" ou aos amoraítas da Palestina. Mais tarde passou a significar o chefe espiritual de uma comunidade judaica, ou pessoa erudita nas leis judaicas.
RIMONÍM – Jóias de prata que se põem sobre as varas superiores dos rolos da Torá.
RÔSH HASHANÁH (Hebr) – Cabeça do ano. Festa do ano judaico, celebrada nos dias l° e 2° de Tishri: dias em que segundo a tradição o mundo foi criado. Os outros nomes de Rôsh Hashanáh são: Yôm Hazzikkarôn (dia da lembrança), Yôm Terú`a (dia do toque do shôfár), Yôm Haddín (dia do julgamento). Festa essencialmente religiosa. Celebra-se exclusivamente na sinagoga.
RÔSH HÔDESH (Hebr) – Cabeça do mês. Princípio do mês hebraico que se inicia com a lua nova.
RÚ`ACH (Hebr) – Termo traduzido geralmente por espirito ou vento. Refere-se ao elemento que possibilita ao homem estar consciente de Deus e comungar com ele.
SABRA – Denominação metafórica da nova geração israelense.
SACERDOTES – Eram, entre os antigos israelitas, os guardiões do santuário, exercendo aí as funções legais e rituais.
SANHEDRÍN – Era o supremo conselho dos judeus. Os judeus da Diáspora diziam Guerusia ou ainda Sinédrio. Eqüivalia ao Senado dos gregos e romanos. Decidia acerca de matéria legal e ritual. Era presidido pelo sumo sacerdote em função.
SÊDER (Tr) – Ordem. Programa da cerimônia da Festa de Peçah, no lar, durante as duas primeiras noites.
SEFARADÍM – Do hebraico "sefarád" (Espanha). Israelitas procedentes da Espanha, Balcãs, Norte da África etc. e seus descendentes.
SÊFER TORÁH – Rolo da Lei; o qual se lê nos sábados, segundas e quintas-feiras e nas festas.
SELÁH – "Para sempre". Termo tradicionalmente usado, como bênção e como confirmação do citado.
SELIHÔT (Or) – Conjunto de orações de penitência, recitadas em geral de madrugada, na semana anterior ao Ano Novo e aos dias de jejum.
SHABBAT (Hebr) – Cessação. Sétimo dia da semana, na cronologia semanal, judaica. Dia santificado. Dia de descanso. Dia dedicado à meditação. O dia da Shabbat é entre as instituições religiosas e sociais a maior conquista do judaísmo. A Shabbat instituiu o princípio segundo o qual o homem tem o direito a seu descanso e à meditação.
SHALÔM (Hebr) – Paz. Saudação bíblica empregada entre os israelitas até hoje.
SHAMÁSH – Assistente na sinagoga.
SHAVUOT – Shabu`ôt - A festa de "Shabu`ôt" é chamada Yôm habbikkurím (dia das primícias) pois neste dia, oferecia-se no Santuário um dos pães feitos do trigo da nova colheita, denominados "shetê haléhem". Os outros nomes desta festa são: Hag haqqatsír (Festa da ceifa), Jôm-matán-Toráh (Dia da entrega da Lei) e Festa das Semanas. Entretanto no Talmud, esta festa é chamada "Atseret" (dia da abstinência de trabalho).
SHLOSHÍM – Os primeiros 30 dias de luto que guardam os "abelím" após o falecimento de um parente próximo.
SHEM`Á – ou Qeriat-shem`á – Principal oração judaica, considerada como a expressão clássica do monoteísmo e a proclamação de fé dos israelitas.
SHEMINI `ATSÉRET (Tr) – Oitavo dia de festa de Çukôt.
SHEMITTÁH (Hebr) – Ano sabático. Todo sétimo ano desde o ano da criação do mundo, é um ano sabático, durante o qual a terra devia estar em repouso. Os produtos que cresciam espontaneamente no campo, eram socializados e pertenciam a todos: ao servo, empregado, estrangeiro e mesmo ao gado e aos animais selvagens da terra.
SHEMONÉH-`ESRÊ (Or) – Oração das dezoito bênçãos. Chamada também "Grande oração", parte integrante de todos os períodos de oração, com textos iniciais e finais fixos.
SHEMÔT (Bibl) – O segundo livro do Pentateuco chama-se em hebraico "Shemôt" (Nomes) e em grego "Êxodo" (Saída), pois um dos principais acontecimentos nele narrado, é a saída do povo de Israel do Egito.
SHEVÁ BERAKOT – Sheba` Berakôt - Sete bênçãos que se recitam com o segundo copo, durante a cerimônia nupcial israelita.
SHIVÁ (Ri) – Shib`áh - Durante 7 dias os enlutados usam cadeiras baixas para sentar-se, como demonstração do seu pesar. O Sábado e as Festas interrompem o luto. Durante estes sete dias os enlutados s-uspendem suas ocupações habituais e dedicam todos os seus pensamentos ao desaparecido membro da família.
SHOHÊT – Pessoa entendida no ritual de matança de animais (shehitáh – abate) conforme a lei judaica.
SHOFAR – Trombeta feita com chifre de carneiro que se toca sobretudo no Ano Novo judaico (Rosh Hashanáh) e no Dia da Expiação (Yôm Kipúr).
SHULEHÁN `ARUK (Hebr) – "Mesa posta". Título mais popular da compilação das leis rabínicas em forma de código. Foi escrito por Yosef Karo (m. 1575). A primeira edição apareceu em Veneza em 1565.
SIDRÁ – Çidráh - Seção semanal na Toráh que se lê publicamente aos sábados, na sinagoga. O mesmo que "parashá" para os sefaradim.
SIMHÁH (Hebr) – Alegria. Também considerada "alegria santa". Festa. Satisfação pelo cumprimento de um dever humano ou religioso.
SIMHAT-TÔRÁH (Tr) – Último dia da festa de Sukkôt. Significa alegria da Torá, pela solenidade festiva de terminar a leitura da última sidrá da Torá e do começo de um ciclo novo com a leitura de uma parte da sidrá de "Berêshít".
SINAGOGA (Gr) – Textualmente: convocação ou assembléia. Palavra de origem grega. Lugar onde se celebra o culto religioso israelita. Templo. Casa de Deus.
SIONISMO – Tsiyyônút - Tsiyyôniyút - Aspiração milenar judaica, desde o exílio babi1ônico, de retomar a Éretz Yisraêl. A espera messiânica, traduzida na liturgia e nas prédicas religiosas, transformou-se num movimento prático e espiritual, com a publicação do "Estado Judeu" por Theodor Hertzl (1896), assumindo uma feição política no primeiro congresso sionista mundial, realizado em Basiléia em 1897, que proclamou o direito do povo judeu de reconstruir sua vida nacional na sua própria casa.
SÔFRÍM – Escribas. Sábios, tradutores da Lei Escrita, para o aramaico, língua popular internacional do Oriente. Este tipo de tradução, feito na época do helenismo, é conhecido como "targum" (versão).
SUKÔT – Festa das cabanas. Celebra-se, habitando durante 8 dias em cabanas em que os israelitas viveram desde a saída do Egito até a conquista da Palestina. Chamou-se também de Hag-Haasíf (Festa da colheita) ou simplesmente Hag. Principalmente Sukkôt era uma festa agrícola, rural. Sukkôt marcava o final da colheita da fruta. Era também a festa de peregrinação.
TA`ANYÔT (Hebr) – Dias de Jejum.
TAHANÚN (Or) – Súplica. Após a grande oração de Shaharít e de Minháh rezam geralmente o Tahanún (súplicas pelo perdão divino). Esta prece geralmente fica omitida nos dias da Shabbát, Festas e dias Semi-festivos.
TAHARÁH – Ação de lavar o corpo do defunto antes de ser envolvido na mortalha.
TALLÍT – Manto ritual. Geralmente o judeu se cobre com este manto especial, durante as orações matinais. A tallít é um pano retangular de lã ou seda, com listas negras ou azuis perto das suas bordas menores. Das quatro pontas pendem franjas de lã ou de seda, "tzitzít". A tallít expressa a idéia de nos revestirmos de espírito de santidade para executar os preceitos divinos e recordar que não devemos andar atrás dos impulsos maus do nosso coração nem de tudo o que os nossos olhos vêem.
TALMUD – Significa literalmente: Estudo. Contém os trabalhos mentais, opiniões e ensinamentos dos antigos sábios judeus, expondo e desenvolvendo as leis religiosas e civis da Bíblia, durante um período de cerca de 8 séculos (desde o ano 300 a.C. até o ano 500 d.C.). O Talmud inclui dois diferentes elementos: a Halakáh (lei) e a Haggadáh (narração).
TALMUD TORÁH – Textualmente : "Estudo da Toráh". Escolas primárias, nos centros judaicos, que ensinavam aos jovens desde o alfabeto hebraico até os valores filosóficos da religião e cultura judaica.
TANAK (Hebr) – Bíblia. Segundo a tradição judaica, a Bíblia se compõe da: Toráh (cinco livros sagrados), Nebiím (Profetas) e Ketubím (Hagiógrafos). Dai surge o nome Tanak, formado pelas letras iniciais das três partes de que se compõe a Bíblia.
TEAMÍM – Sinais tradicionais que se encontram nas letras hebraicas da Bíblia e que servem de acentos, pontuação e notas musicais.
TEFILÁH – As principais orações diárias dos israelitas são Tefillat-shaharít (oração da manhã); Tefilat-minháh (oração da tarde); Tefillat-arbít (oração da noite). Podemos também classificar as orações, do ponto de vista do seu conteúdo. Tornou-se hábito no judaísmo ao rezar, de nos aproximarmos de Deus, principalmente com palavras de louvor e de adoração.
TEFILÍM – Filactérios. Duas caixinhas de couro que contém quatro trechos do Pentateuco, que durante as orações matinais, exceto aos sábados e dias festivos, os judeus usam geralmente a partir dos 13 anos. Os dois tefilím simbolizam também os dois princípios da vida humana, teórica e prática, isto é: pensamento e ação. O da mão acrescenta também o sentimento.
TEHIAT HAMETIM – Tehiyyát Hammetím - Ressurreição dos mortos.
TEHILLÍM (Hebr) – Salmos. Existem 150 salmos, subdivididos em cinco livros, que começam respectivamente pelos salmos 1, 42, 78, 90 e 107.
TEIVÁ – Têbáh - Púlpito para a leitura da Toráh na sinagoga. Para os sefaradím o mesmo que Bimáh e `Ammúd dos ashkenazím.
TESHUBÁH (Hebr) – Arrependimento. Na terminologia judaica, significa a não repetição do mal, e a vontade de expiar o pecado. O que é ordenado aos judeus fazer sempre, e especialmente desde Rôsh Hashanáh até Yôm Kipúr.
TISH`ÁH BE AB – Dia 9 o mês de Ab. Dia da destruição do primeiro e segundo Templo em épocas diferentes. Dia de jejum.
TORÁH (Hebr) – Ensinamento da Lei. Especialmente os "Cinco Livros de Moisés". O termo serve freqüentemente para toda a lei judaica. Chama-se também em hebraico: Humásh, Hamishá e Humashé Torá.
TSADÍQ (Hebr) – pl. tsadiqím – Justo, piedoso, virtuoso. Termo usado para o rabino hassídico ao qual se atribui o poder de fazer milagres, conforme a crença de um grupo de judeus, chamados haçidím.
TSEDAQÁH (Hebr) – Caridade. Na concepção filosófica de Maimônides, a caridade judaica consiste em antecipar o auxilio ao seu semelhante, evitando que o mesmo necessite estender a mão em busca do arrimo.
TSITSÍT – Franjas da tallít, que são fixadas em obediência às prescrições bíblicas.
VAYYIQRÁ (Bibl) – O terceiro livro do Pentateuco chama-se "Vayyiqrá" (e chamou), palavra com a qual começa este livro. Entretanto na linguagem talmúdica, denomina-se "Sêfer Torat Kohaním" (livro da lei dos sacerdotes). A "Versão dos Setenta" deu-lhe o título de Levítico.
VIDDÚY (Or) – Confissão dirigida diretamente a Deus. Reza do agonizante que termina com o Shem`á.
YAD (Hebr) – Literalmente: Mão. Indicador, feito de metal, em forma de mão com dedo indicador, que serve para guiar e apontar as palavras, durante a leitura da Toráh.
YAMIM NORAÍM (Hebr) – Dias Terríveis. Rôsh Hashanáh, dia do Ano Novo, e Yôm Kipúr, dia do Perdão, são as duas festas austeras, do ano judaico.
YAMIM TOBÍM (Hebr) – Dias Bons. Festas. Datas nacionais de Israel, que exprimem a sua união com Deus e sua obrigação de servi-lo. Estas comemorações são de duas espécies: alegres e austeras. Nestes dias não é permitido fazer nenhum trabalho.
YESHIBÁH (Hebr) – Escola tradicional judaica, dedicada ao estudo da literatura rabínica e talmúdica.
YIDISH – Do alemão "jüdisch", significando judaico. O idioma dos judeus do este da Europa; é alemão com a mistura do eslavo e hebraico.
YISHÚB (Hebr) – Coletividade.
YIZKÔR (Or) – Oração em memória dos mortos, rezada pelos askhenazím em quatro ocasiões: no Yôm Kipúr, em Shemini Atzeret, no último dia de Peçah e no segundo dia de Shabt.
YÔM HA`ATZMAÚT (Hebr) – Dia da Independência. Dia 5 do Iyyar de 5708 (14 de maio de 1948) foi proclamado o novo Estado de Israel.
YÔM HAZIKKARÔN – Dia da Lembrança.
YÔM KIPÚR – Dia do Perdão. Festa máxima dos judeus. Vinte e quatro horas de jejum completo, onde o judeu faz penitência, se purifica de seus pecados e reza a Deus.
YÔM TÔB (Hebr) – Bom dia. Termo hebraico para festa (religiosa).
YOBÊL (Hebr) – Ano de jubileu.
ZEMIRÔT (Tr) – Cânticos; para os sefaradím significam os primeiros salmos da liturgia matutina. Para os ashkenazím são os cânticos de sábado.
ZOHÁR (Hebr) – Fulgor. Titulo do trabalho cabalístico atribuído a Rabi Shimon Ben Yoray e introduzido na Espanha por Moisés de Leon, no décimo terceiro século.

Fonte: Jewish-Christian Relations