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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Curitiba recebe Diálogo Catolico Judaico

por Aline Cambuy/ Moema Zuccherelli

XVII Assembleia Nacional será realizada na capital paranaense nos dias 23 e 24 de outubro

Nos dias 23 e 24 de outubro, Curitiba sedia a XVII Assembleia Nacional do Diálogo Católico-Judaico. A Assembleia é realizada a cada ano em uma capital brasileira. A última vez que passou por Curitiba foi em 1998. O tema desta edição será "Judaísmo e Catolicismo, desafios diante do avanço científico".

O Rabino Pablo Berman, da Comunidade Israelita do Paraná, ressalta que a base para a compreensão entre as diferentes tradições religiosas é o diálogo e cada uma dessas tradições são diferentes formas de conhecer a Deus. "O abraço das religiões precisa da singularidade de cada religião, sua riqueza de bagagem histórica e cultural. Aí está a importância deste encontro, nesse abraço, nesse diálogo".

"Este encontro é muito importante, pois é por meio do diálogo que surge o conhecimento e o entendimento. Todas as religiões pregam amor, respeito ao próximo e justiça social e, se todos nos uníssemos em torno desses preceitos, não haveria guerras "santas", preconceitos e mitos. Espero que esta iniciativa traga luz e compreensão para todos", acrescenta a Presidente da Comunidade Israelita do Paraná, Ester Proveller.

Para o Presidente da Federação Israelita do Paraná, Manoel Knopfholz, nos dias atuais o diálogo é fundamental, na medida em que, cada vez mais, o ser humano exerce um individualismo exacerbado, fruto da competitividade, excesso de tecnologia e culto ao consumismo desenfreado. "O mundo ocidental está alicerçado na civilização e nos fundamentos judaicos-cristãos. São religiões simbióticas e irmanadas que, em todas as fases da História da humanidade, tem fundamentado condutas, estabelecido parâmetros, mas, acima de tudo, reoxigenando a fé. As duas possuem convergências, especialmente na edificação humana. O Homem está se distanciando de sua humanidade. Assim, todo e qualquer movimento que vise resgatar os valores humanos é válido. O diálogo é um deles. Aliás, rico e oportuno."

De acordo com Leon Knopfholz, presidente da B'nai B'rith no Paraná, esse encontro reunirá diretores de escolas católicas, lideranças religiosas e políticas, estudantes e interessados no tema. "O diálogo aproxima os católicos e judeus, demonstrando assim que vivemos em uma época onde as diferenças e preconceitos não são mais aceitos e as boas relações entre as religiões são fundamentais".

Para o professor e especialista em judaísmo Antonio Carlos Costa Coelho, um dos coordenadores do evento, estamos caminhando para a superação de um afastamento histórico de dois mil anos. "Entre católicos e judeus existe 80% de semelhança e 20% de diferença e, é essa diferença que deve ser valorizada, pois ela enriquece cada uma das comunidades". Coelho explica que o Diálogo é uma maneira de repercutir o tema. "Nos últimos 15 anos a sociedade mudou muito. Além da globalização, a legislação também contribuiu para a redução do preconceito e discriminação".

A abertura da XVII Assembleia Nacional do Diálogo Católico-Judaico será no dia 23 de outubro, às 19h, no Studium Theologicum (Av. Presidente Getulio Vargas, 1193). Na ocasião, será realizada a Conferência "Bioética Judaica e Católica", uma exposição crítica feita por Dr. Cícero de Andrade Urban e Rabino Michel Schelesinger.

O segundo dia do evento (24) é reservado aos trabalhos da Comissão e acontecerá a partir das 9h, no Centro Israelita do Paraná (Rua Cel. Agostinho Macedo, 248. Bom Retiro). O Rabino Pablo Berman e o Padre Jaime Sánchez Bosch farão a leitura e interpretação de textos bíblicos sob as óticas judaica e católica. Na sequencia, será elaborada e agenda da Comissão Nacional do Diálogo Religioso Católico-Judaico para o ano de 2012.

Dado ao caráter e ao local do evento, a comissão se preocupou em fixar um número de convites a pessoas que possam contribuir com o espírito do dialogo inter-religioso.

Também participam do encontro o presidente da B'nai B'rith nacional, Abraham Goldstein, representantes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), rabinos de São Paulo e Rio de Janeiro.

SERVIÇO
XVII Assembleia Nacional da Comissão do Diálogo Católico- Judaico
Data: 23 e 24 de outubro de 2011 - Curitiba
Tema: JUDAÍSMO E CATOLICISMO: DESAFIOS DIANTE DO AVANÇO CIENTÍFICO

PROGRAMA
23 de outubro
Local: STUDIUM THEOLOGICUM - Avenida Getúlio Vargas, 1193 - Rebouças.
17h30 - Recepção
19h - Abertura:
Oração
Falas de representantes judaicos e católicos
19h30 - Conferência:
Bioética Judaica e Católica (exposição crítica), Dr. Cícero de Andrade Urban e Rabino Michel Schelesinger.

24 de outubro: (reservado aos trabalhos da Comissão)
Local: CENTRO ISRAELITA DO PARANÁ
Rua Coronel Agostinho Macedo, 248, Bom Retiro.
9h - Recepção
9h30 - Um Mesmo Problema Sob Dois Olhares (leitura e interpretação de textos bíblicos sob as óticas judaica e católica)
Rabino Pablo Berman e Padre Jaime Sánchez Bosch
11h - Agenda 2012
Elaboração da agenda da Comissão Nacional do Diálogo Religioso Católico-Judaico para o ano de 2012
12h30 - Almoço

Fonte: Assessoria de Imprensa Lide Multimídia

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Novas Gerações do CJL debate a relação entre judeus e católicos

Jack Terpins, Dom Pedro Scherer e Rabino Michel Schlesinger. Foto: Fisesp

Ontem (28/7), o Programa de Novas Gerações do Congresso Judaico Latino-Americano- CJL, com a presença de seu presidente, o brasileiro Jack Terpins, e de um representante do grupo vindo especialmente para a ocasião, Javier Mutal, organizou uma nova atividade, no Clube ‘A Hebraica’.

Os convidados foram Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e o Rabino Michel Schlesinger, Rabino da Congregação Israelita Paulista – CIP, que falaram sobre a atual relação da Igreja Católica com a comunidade Judaica, tanto no Brasil como no mundo.

A noite foi aberta pelo coordenador do Programa de Novas Gerações no Brasil, Marcelo Secemski, que deu às boas vindas a todos e por Terpins, que lembrou que ele próprio, o rabino e o Cardeal já estiveram juntos no Mèxico, em um encontro da maior importância para o diálogo inter-religioso, e que essa é uma premissa do CJL. Também, enalteceu a liberdade que há no Brasil de cada optar por seguir sua fé e professá-la livremente.

Em seguida, a palavra foi dada a Javier Mutal, que explanou sobre o Programa de Novas Gerações, desenvolvido em vários países da América Latina,e que tem por objetivo incentivar e formar novas lideranças, a partir da constante capacitação de jovens em seminários e cursos diversos no País e Exterior e sua participação e em sessões de organismos internacionais, palestras com personalidades do mundo político e comunitário, lideranças etc.

O Rabino Michel iniciou com um retrospecto dos laços de trabalho conjunto entre a Igreja Católica e os esforços nesse sentido, lembrando que no Brasil, em fevereiro de 1981 foi criada a Comissão de Diálogo Inter-religioso, e que atua, basicamente, em três frentes, a saber: o diálogo institucional, o teológico para viabilizar estudos de conhecimento mútuo sobre cada fé, e como não poderia deixar de ser, as ações conjuntas entre elas.

O Cardeal reafirmou as palavras do rabino, e destacou que o Diálogo tem uma longa e frutuosa história. Disse ele: “Temos um afeto e proximidade ao povo de Israel e à comunidade judaica e à sua sabedoria”. E concluiu: “Que este Encontro sirva para a valorização para nossa herança e tarefa comum”.

Ambos, apostaram no conhecimento das crenças, costumes, história, para incentivar a harmonia entre os seres. “Que possamos sempre promover ocasiões de conhecimento e diálogo. Isso é o que permite se espantar os fantasmas”, concluiu Dom Odilo.

Após uma sessão de perguntas, o Rabino Michel encerrou a noite, citando Amos Oz, e no mesmo tom, reforçou que temos que procurar o que nos une.

Fonte: Fisesp

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Rabino Michel na 49ª Assembleia Geral da CNBB

Rabino Michel Schlesinger com o Dom Raimundo Damasceno. Foto: Fisesp


O rabino Michel Schlesinger (CIP) foi convidado para transmitir uma mensagem aos bispos reunidos em Aparecida por ocasião da 49ª Assembléia Geral da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), que acontece entre os dias 4 e 13 de maio.

“É uma oportunidade para avaliar de forma corajosa as conquistas e desafios dos 30 anos de Comissão Nacional de Diálogo Católico-Judaico”, afirmou o rabino sobre a iniciativa, criada em fevereiro de 1981.
Leia a mensagem na íntegra:
Shamai e Hilel discutiram incontáveis assuntos legais por muitos anos. Em certo momento, conta o Talmude, saiu uma voz do céu e declarou: “Elu VeElu Divrei Elohim Chaim VeHalachá KeBeit Hilel”, “estas e também aquelas são palavras do Deus vivo, no entanto a Lei será determinada conforme a opinião de Hilel”.
Nossos sábios se perguntaram: se ambos possuem razão, então qual o critério para se determinar a lei? E a resposta é maravilhosa. Hilel mereceu que a lei fosse determinada da sua maneira porque sabia dialogar com elegância. Citava a opinião do seu oponente sempre com respeito, antes mesmo de citar seu próprio pensamento.
O Jubileu de Ouro do Concílio Vaticano Segundo e da Declaração Nostra Aetate, nos convidam a uma profunda reflexão sobre as conquistas e desafios do diálogo católico-judaico.
Nos últimos cinqüenta anos, sociedades de todo o mundo organizaram grupos de diálogo e aprofundaram o trabalho de conhecimento mútuo. No Brasil, a Comissão Nacional de Diálogo Católico-Judaico completou, no último fevereiro, trinta anos de existência trabalhando em quatro diferentes esferas: a teológica, social, pessoal e institucional.
Religiosos católicos e judeus se reúnem com freqüência em diversas cidades brasileiras para estudar a tradição religiosa do outro, traduzindo em pesquisa e análise o empenho de aproximação teológica. No âmbito social, unimos forças para promover causas comuns como a ética, a consciência ambiental, a segurança, a justiça social, entre tantas outras. Vínculos pessoais entre líderes de ambas as comunidades foram estabelecidos e são constantemente fortalecidos. Fiquei pessoalmente comovido com a escolha de Dom Raymundo Damasceno como presidente da CNBB porque ele é um promotor incansável do diálogo católico-judaico, assim como o amigo Dom Odilo Pedro Scherer e o irmão Padre José Bizon.
Finalmente atuamos para aproximar as instituições da comunidade judaica como a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e as diversas Federações Israelitas das instituições católicas como a CNBB e o Celam.
O desafio que nos aguarda para os próximos cinqüenta, em minha opinião, é muito claro. Precisamos fazer com que o diálogo inter-religioso atinja também nossos congregantes. O membro comum de nossas comunidades ainda não conhece o trabalho inter-religioso e, por vezes, propaga preconceitos por total ignorância da natureza daquele que lhe é diferente.
Muitas são nossas semelhanças, ao mesmo tempo, temos algumas convicções distintas. Assim como Shamai e Hilel, não seremos julgados pela verdade de nosso discurso, porque cada religião tem sua verdade, mas pela elegância com que conduziremos as discussões.
Obrigado pelo convite carinhoso e Shalom.
Rabino Michel Schlesinger

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Realizada em Porto Alegre a XIV Assembleia Nacional do Diálogo Católico Judaico

Pela primeira vez com sede no Rio Grande do Sul, a 14ª Assembléia Nacional do Diálogo Católico-Judaico aconteceu em Porto Alegre, entre os dias 17 e 18 de setembro.

No domingo, as atividades foram realizadas na Sinagoga da Sibra, já na segunda-feira, o encontro ocorreu na Casa de Retiros Betânia.

O evento foi organizado por Guershon Kwasniewski, guia espiritual da Sibra, e pelo padre Roberto Paz, coordenador da área da cultura da Igreja Católica. Além deles, também participaram lideres religiosos como dom Oneres Marchiori, padre Jesus Hortel, padre José Bizon, Iehuda Gitelman, da Sinagoga Centro Israelita Porto Alegrense, e o rabino Henry Sobel, de São Paulo.

O primeiro dia de atividades contou com uma mesa redonda, com a presença dos lideres religiosos, o presidente da Federação Israelita do RS Abrahão Finkelstein e o jornalista Jaime Spitzcovsky. Após um coffe break, Spitzcovsky ministrou uma palestra sobre a ética nos meios de comunicação e a necessidade de mobilização da sociedade pela defesa da ética e de valores morais. As cerca de 50 pessoas presentes fizeram perguntas ao jornalista ao final da palestra. As atividades de domingo se encerraram com a apresentação do coral da Igreja São Pedro.

Na segunda-feira, foram realizados os últimos debates que visam manter a união entre as religiões católica e judaica de forma amigável e pacífica, como sempre foi na capital gaúcha.

Fonte: FIRS - Federação Israelita do Rio Grande do Sul

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Porto Alegre recebe a XIV Assembleia do Diálogo Católico Judaico

A Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico/Judaico vai realizar, em Porto Alegre (RS), nos dias 17 e 18 de setembro de 2006, a XIV Assembléia do Diálogo Católico/Judaico. No dia 17, o tema a ser desenvolvido pelo jornalista Jaime Spitikowski, será Ética e Meios de Comunicação. No dia seguinte, Ética e Cidadania, com o Dr. Moacyr Scliar e Ética e Ensino com o Dr. Sérgio Rogério Azevedo Junqueira.

Informações na Casa da Reconciliação, pelo telefone (31) 3884-1544 ou pelo e-mail: dcj@casadareconcilização.com.br e na Congregação Israelita Paulista, pelo telefone (11) 3259-7828.

Fonte: CatolicaNet


quinta-feira, 3 de abril de 2003

Judeus criticam artigo de bispo na XII Assembleia Nacional do Diálogo Católico Judaico

Reunidos na XII Assembléia anual realizada em Belo-Horizonte de 30 a 31 de março, a Comissão Nacional de Dialogo Católico-Judaico, enviou uma carta ao Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Jayme Chemello, discordando do artigo e declarações do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, veiculada na mídia, a respeito do Holocausto e dos Judeus.

Segue a integra da Carta
Exmo e Revmo. Sr.

Dom Jayme Chemello

DD. Presidente da Conferência

Nacional dos Bispos do Brasil



       Prezado Dom Jayme,

       Nós, católicos e Judeus participantes da XII Assembléia Anual do Diálogo Católico Judaico sentimo-nos impelidos, em espírito fraternal, a manifestar a nossa discordância com as recentes declarações do arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, veiculadas pela ínternet, a respeito do Holocausto e dos Judeus.


    É um fato histórico a tentativa de eliminação total dos Judeus existentes nos países sob dominação nazista. Poucos realmente escaparam de tão monstruoso massacre. O número de 6 milhões de vítimas é um cálculo com base na população judia daquelas regiões antes da segunda guerra mundial. Os que, no fim, faltavam morreram sobretudo em campos de extermínio, mas também vitimados por massacres, promovidos pelo regime ou em consequência da fome e da miséria oficialmente instaladas nos guetos onde foram encerrados. Além disso, o mais monstruoso não é o número, mas tentativa de eliminação total de um povo, sem exceção de pessoas. A consciência da humanidade clama contra tal crime.


    Sem dúvida, houve também muitos cristãos que morreram vítimas do nazismo,inclusive em razão de sua fé (por exemplo o Pe. Alfredo Delpp, o Pastor Bonhofer, Maxiliano Kolbe, etc). Mas não houve nenhum plano de eliminação fisica de todos os cristãos.


    Quanto à figura do Papa Pio XII, que muitos de nós admiramos, lembramos apenas que existe uma Comissão Internacional de Historiadores Judeus e Católicos, encarregada de um estudo aprofundado do tema. A abertura dos Arquivos Vaticanus referentes ao Pontificado de Pio XI certamente ajudará a lançar luz sobre a figura do Papa Pacelli.


    Por outro lado, não parece adequado falar, de modo genérico, que "os Judeus" ou "os Católicos" dizem ou fazem isto ou aquilo. Tais simplificações não ajudam na construção do diálogo que nós ardentemente procuramos.

    Atenciosamente,


Comissão Nacional do Dialogo
Católico/Judaico da CNBB

Fonte: Catolicanet

sábado, 17 de junho de 1989

São Paulo dá exemplo de diálogo inter-religioso

HÉLIO DAMANTE

Raras vezes se tem oportunidade de assistir, ao vivo, encontro de personalidades religiosas de diferentes credos, voltadas para a causa do diálogo inter-religioso, ponto de partida para a verdadeira prática ecumênica.

São Paulo teve esse privilégio, no último domingo, ao ensejo da entrega do "Prêmio Patriarca Abrão", instituído pela CNBB, ao cardeal holandês Johannes Willebrands, do Vaticano, e ao dr. Gerhart M. Riegner, de Genebra (Congresso Judaico Mundial), pela dedicação de ambos ao fortalecimento das relações entre católicos e judeus.

Especialmente significativa foi a presença como convidada da sra. Jehan Sadat, viúva do presidente do Egito, Anwar Sadat. As três grandes religiões monoteístas encontravam-se na cidade cosmopolita, onde vivem em harmonia tantos de seus seguidores, para um momento de solene afirmação. As radicais mudanças nas relações entre judeus e católicos, sempre ressaltadas pelo atual papa (que visitou a sinagoga de Roma), os progressos registrados no relacionamento entre muçulmanos e católicos, em meio aos rigores da lei islâmica, podem também chegar a judeus e muçulmanos, contribuindo para a paz mundial. E essa foi a lição colhida no domingo, em São Paulo, numa festa endereçada em princípio ao diálogo católico-judaico, mas que ampliou o leque, incluindo a religião que mais cresce no mundo atual: o islamismo...

Festa celebra o entendimento entre religiões

Com a festa de entrega do primeiro Prêmio Patriarca Abraão de Ecumenismo, no dia 11, em São Paulo, católicos e judeus devem celebrar o êxito de uma das mais importantes experiências de diálogo inter-religioso já realizadas no País. Desde 1981, quando da criação da Comissão Nacional de Diálogo Católico-Judaico, representantes dos dois agrupamentos oficializaram entendimentos sobre várias questões de ordem religiosa, e editaram um livro com orientações inéditas para o diálogo entre as duas comunidades.

Com essas iniciativas, os brasileiros dão prosseguimento a um projeto internacional de aproximação religiosa. Os agraciados com o prêmio são justamente o cardeal Johannes Willebrands, presidente da Comissão da Santa Sé para Relações Religiosas com os Judeus, e Gerhart Riengner, co-presidente do Comitê Internacional Judaico de Consultas Inter-Religiosas, ambos importantes peças do xadrez diplomático em que se desenvolvem esses entendimentos. "Essas experiências têm posto fim a conceitos equivocados que já duravam séculos", festeja o rabino Henry Sobel, da Congregação Israelita Paulista.

Há pouco mais de vinte anos, por exemplo, os católicos eram instados a orar pelo que a Igreja chamava de "conversão dos pérfidos judeus". Na Semana Santa, ainda eram comuns as cerimônias e representações em que os judeus eram responsabilizados pelo assassinato de Jesus, identificados com a turba que o teria preterido em favor do meliante Barrabás. Somente na década dos 60, no Concílio Vaticano II, foi decidido que não se podia atribuir a morte de Jesus ao povo judeu.

"Não há dúvida de que o Cristianismo tem uma dívida histórica com o Judaísmo", adverte o franciscano holandês frei Felix Neesjes, assessor da CNBB. Neesjes cita como exemplo o caso de Portugal, cujos governantes forçavam os judeus a se converter ao cristianismo.

Segundo o rabino Sobel, o próximo passo da comissão de ecumenismo é iniciar entendimentos com a comunidade muçulmana no Brasil. A oradora da festa da próxima segunda-feira será a muçulmana Jehan Sadat, viúva de Anwar Sadat, presidente assassinado do Egito. Entre os vários pronunciamentos da noite, os convidados ouvirão Milton Nascimento cantar alguns de seus sucessos.

Duas igrejas em busca do entendimento

Quando o mundo inteiro, notadamente os países onde a religião luterana é mais influente, comemora hoje os 500 anos do nascimento de Martinho Lutero, começam a surgir sinais de que as igrejas Católica e Protestante teriam mesmo intenção de superar ao menos algumas de suas divergências. Um exemplo disso é a disposição de um papa, João Paulo 2º, em cruzar, pela primeira vez desde que Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, o umbral de um templo "herético" em sua diocese romana, a Igreja Evangélica de Roma. Isso acontecerá no próximo dia 11 de dezembro, quando o Papa fará um sermão que, acredita-se, tenha o teólogo reformista como tema. Segundo a agência internacional de notícias AP, fontes do Vaticano revelaram ainda que as comemorações do 5º centenário são uma oportunidade de o Papa estender a mão ao reformista alemão.

De acordo com informações do pastor da Igreja Luterana, padre Christopher Meyer, reveladas na semana passada, João Paulo 2º já deu um importante passo para a revisão da posição da Igreja Católica com relação ao luteranismo ao enviar uma carta ao cardeal Johannes Willebrands, presidente da Secretaria para a Unidade dos Cristãos (o mesmo que em 1970 se referiu a Lutero como o "doutor comum das igrejas"). Segundo o pastor, o Papa reconhece, na correspondência, não somente "a profunda religiosidade" de Lutero como também afirma que a "ruptura da unidade eclesiástica" teve "raízes mais profundas" do que a incompreensão mútua entre católicos e protestantes.

A carta do Papa não constitui uma reabilitação de Martinho Lutero e tampouco anula a excomunhão aplicada a ele pelo papa Leão 10 e as diferenças existentes entre as suas religiões. Mas pede que continuem sendo realizadas pesquisas históricas imparciais com o objetivo de se conseguir uma imagem mais justa de Lutero e de sua época.

Boa vontade

Não são de hoje as tentativas de reaproximação entre as duas Igrejas. A primeira experiência, mal-sucedida, ocorreu em 1541, 20 anos depois da excomunhão de Lutero. Desde então, muita discussão acalorada surgiu entre os teólogos das duas correntes. Os principais esforços parecem constar do documento assinado por católicos e luteranos, cuja elaboração terminou a 30 de setembro último, ainda de acordo com a AP, resultado de um diálogo patrocinado pela Conferência dos Bispos Americanos e o Ministério Luterano Mundial. Entre os pontos sobre os quais os teólogos de ambos os lados concordaram está o reconhecimento de que católicos e protestantes podem "reconhecer-se mutuamente compartilhando...o mesmo Evangelho de amor redentor na fé". Entre as divergências que ainda persistem está a autoridade do Papa e o número de sacramentos.

Os teólogos reconhecem que "os abusos que ocasionaram a Reforma foram parcialmente corrigidos pelo Concílio de Trento (1545/1563) e pelo Concílio Vaticano 2º (1962/1965)", convocado por João 23, e admitem que na esfera luterana também "há necessidade de reformas contínuas". Embora tenham chegado a um acordo sobre diversos pontos, após anos de discussão (a reaproximação foi iniciada em 65), ninguém nega que houve progressos.

Comemorações na Alemanha

Na Alemanha Oriental, as comemorações do aniversário do nascimento de Martinho Lutero adquiriram contornos políticos. Ao discursar na ópera de Berlim Oriental, o deputado Gerald Goettinag afirmou esperar que a cooperação entre o Estado e a Igreja, nas celebrações do 500º aniversário de Lutero, hoje, sirvam de base para um trabalho conjunto no futuro...


Fonte: O Estado de São Paulo, 17 de junho de 1989, p. 26. / Blog Acervo Profético