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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Novas Gerações do CJL debate a relação entre judeus e católicos

Jack Terpins, Dom Pedro Scherer e Rabino Michel Schlesinger. Foto: Fisesp

Ontem (28/7), o Programa de Novas Gerações do Congresso Judaico Latino-Americano- CJL, com a presença de seu presidente, o brasileiro Jack Terpins, e de um representante do grupo vindo especialmente para a ocasião, Javier Mutal, organizou uma nova atividade, no Clube ‘A Hebraica’.

Os convidados foram Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e o Rabino Michel Schlesinger, Rabino da Congregação Israelita Paulista – CIP, que falaram sobre a atual relação da Igreja Católica com a comunidade Judaica, tanto no Brasil como no mundo.

A noite foi aberta pelo coordenador do Programa de Novas Gerações no Brasil, Marcelo Secemski, que deu às boas vindas a todos e por Terpins, que lembrou que ele próprio, o rabino e o Cardeal já estiveram juntos no Mèxico, em um encontro da maior importância para o diálogo inter-religioso, e que essa é uma premissa do CJL. Também, enalteceu a liberdade que há no Brasil de cada optar por seguir sua fé e professá-la livremente.

Em seguida, a palavra foi dada a Javier Mutal, que explanou sobre o Programa de Novas Gerações, desenvolvido em vários países da América Latina,e que tem por objetivo incentivar e formar novas lideranças, a partir da constante capacitação de jovens em seminários e cursos diversos no País e Exterior e sua participação e em sessões de organismos internacionais, palestras com personalidades do mundo político e comunitário, lideranças etc.

O Rabino Michel iniciou com um retrospecto dos laços de trabalho conjunto entre a Igreja Católica e os esforços nesse sentido, lembrando que no Brasil, em fevereiro de 1981 foi criada a Comissão de Diálogo Inter-religioso, e que atua, basicamente, em três frentes, a saber: o diálogo institucional, o teológico para viabilizar estudos de conhecimento mútuo sobre cada fé, e como não poderia deixar de ser, as ações conjuntas entre elas.

O Cardeal reafirmou as palavras do rabino, e destacou que o Diálogo tem uma longa e frutuosa história. Disse ele: “Temos um afeto e proximidade ao povo de Israel e à comunidade judaica e à sua sabedoria”. E concluiu: “Que este Encontro sirva para a valorização para nossa herança e tarefa comum”.

Ambos, apostaram no conhecimento das crenças, costumes, história, para incentivar a harmonia entre os seres. “Que possamos sempre promover ocasiões de conhecimento e diálogo. Isso é o que permite se espantar os fantasmas”, concluiu Dom Odilo.

Após uma sessão de perguntas, o Rabino Michel encerrou a noite, citando Amos Oz, e no mesmo tom, reforçou que temos que procurar o que nos une.

Fonte: Fisesp

quinta-feira, 3 de abril de 2003

Judeus criticam artigo de bispo na XII Assembleia Nacional do Diálogo Católico Judaico

Reunidos na XII Assembléia anual realizada em Belo-Horizonte de 30 a 31 de março, a Comissão Nacional de Dialogo Católico-Judaico, enviou uma carta ao Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Jayme Chemello, discordando do artigo e declarações do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, veiculada na mídia, a respeito do Holocausto e dos Judeus.

Segue a integra da Carta
Exmo e Revmo. Sr.

Dom Jayme Chemello

DD. Presidente da Conferência

Nacional dos Bispos do Brasil



       Prezado Dom Jayme,

       Nós, católicos e Judeus participantes da XII Assembléia Anual do Diálogo Católico Judaico sentimo-nos impelidos, em espírito fraternal, a manifestar a nossa discordância com as recentes declarações do arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, veiculadas pela ínternet, a respeito do Holocausto e dos Judeus.


    É um fato histórico a tentativa de eliminação total dos Judeus existentes nos países sob dominação nazista. Poucos realmente escaparam de tão monstruoso massacre. O número de 6 milhões de vítimas é um cálculo com base na população judia daquelas regiões antes da segunda guerra mundial. Os que, no fim, faltavam morreram sobretudo em campos de extermínio, mas também vitimados por massacres, promovidos pelo regime ou em consequência da fome e da miséria oficialmente instaladas nos guetos onde foram encerrados. Além disso, o mais monstruoso não é o número, mas tentativa de eliminação total de um povo, sem exceção de pessoas. A consciência da humanidade clama contra tal crime.


    Sem dúvida, houve também muitos cristãos que morreram vítimas do nazismo,inclusive em razão de sua fé (por exemplo o Pe. Alfredo Delpp, o Pastor Bonhofer, Maxiliano Kolbe, etc). Mas não houve nenhum plano de eliminação fisica de todos os cristãos.


    Quanto à figura do Papa Pio XII, que muitos de nós admiramos, lembramos apenas que existe uma Comissão Internacional de Historiadores Judeus e Católicos, encarregada de um estudo aprofundado do tema. A abertura dos Arquivos Vaticanus referentes ao Pontificado de Pio XI certamente ajudará a lançar luz sobre a figura do Papa Pacelli.


    Por outro lado, não parece adequado falar, de modo genérico, que "os Judeus" ou "os Católicos" dizem ou fazem isto ou aquilo. Tais simplificações não ajudam na construção do diálogo que nós ardentemente procuramos.

    Atenciosamente,


Comissão Nacional do Dialogo
Católico/Judaico da CNBB

Fonte: Catolicanet

domingo, 10 de setembro de 2000

Dab'ru êmet - Uma Posição judaica perante cristãos e Cristandade

Nos anos passados, tem-se consumado uma mudança dramática e inimaginável nas relações cristãs-judaicas. Durante os aproximadamente dois mil anos do exílio judaico, os cristãos consideraram geralmente o Judaísmo uma como religião fracassada ou, na melhor das hipóteses, uma como religião precursora, a qual preparara o caminho à Cristandade e nesta teria chegada ao seu cumprimento. Nos decênios após o Holocausto, porém, a Cristandade mudou dramaticamente. Um número crescente de associações, entre elas tanto romano-católicos como protestantes, expressaram em declarações públicas o seu arrependimento sobre os maus tratos de judeus e o Judaísmo. Além disso, essas declarações tornaram explícita como a doutrina e pregação cristãs podem e devem ser reformadas, para reconhecer a Aliança de Deus com o povo judaico como invariavelmente válida e apreciar a contribuição do Judaísmo para a cultura mundial e para a própria fé cristã.

Estamos convencidos que essas mudanças merecem uma bem pensada resposta judaica. Como um grupo de cientistas judaicos de correntes diferentes – que não fala senão em seu próprio nome – estamos convencidos que está na hora para dos judeus pensarem no que o Judaísmo tem a dizer hoje à Cristandade. Como um primeiro passo queremos explicar em oito concisos pontos como judeus e cristãos poderiam estar em relação uns com os outros.

Judeus e cristãos adoram o mesmo Deus.

Antes do surgimento da Cristandade eram somente os judeus que adoravam o Deus de Israel. Mas também os cristãos adoram o Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o criador do céu e da terra. Se bem que a fé cristã não represente uma alternativa aceitável para judeus, alegramo-nos como teólogos judaicos porque tantos milhões de gente entraram em relação com o Deus de Israel através da Cristandade.

Judeus e Cristãos apoiam-se no mesmo livro – a Bíblia (que os judeus chamam de "Tenak" e os cristãos o "Antigo Testamento").

Nele procuramos orientação religiosa e enriquecimento espiritual e mentalidade comunitária, tirando dele ensinamentos semelhantes: Deus criou e mantém o universo; Deus fez uma aliança com o povo de Israel, e é a palavra de Deus que conduz Israel a uma vida em justiça; afinal, Deus salvará Israel e o mundo inteiro. Não obstante, judeus e cristãos interpretam a Bíblia diferentemente. Essas diferenças devem ser respeitadas.

Cristãos respeitam a reivindicação do país de Israel pelo povo judaico.

Para os judeus, o restabelecimento do Estado de Israel no país prometido representa o acontecimento mais significante desde o holocausto. Como pertencentes a uma religião biblicamente fundada, cristãos estão gratos porque Israel foi prometido e dado aos judeus como concreta encarnação da Aliança entre eles e Deus. Muitos cristãos apoiam o Estado de Israel por razões muito mais profundas do que tais de natureza política. Como judeus, recebemos bem esse apoio. Além disso, sabemos que a tradição judaica manda justiça para todos os não-judeus que viverem no estado judaico.

Judeus e Cristãos reconhecem os princípios morais da Toráh.

No centro dos princípios morais da Toráh estão a santidade e dignidade inalienáveis de cada pessoa humana. Nós todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Essa atitude moral comum pode ser o fundamento para uma relação melhorada entre as nossas duas comunidades. Mais além, pode chegar a ser fundamento dum vigoroso testemunho para toda a humanidade, servindo para o melhoramento da vida dos nossos semelhantes e contra a imoralidade e idolatria, as quais nos ferem e degeneram. Um tal testemunho é urgente, principalmente após os horrores sem pares do século passado.

O Nazismo não era um fenômeno cristão.

Sem a longa história de antijudaísmo cristão e violência cristã contra os judeus, porém, a ideologia nacionalsocialista não teria podido existir, nem ter-se realizado. Demasiado número de cristãos participaram das crueldades contra os judeus ou as aprovaram. Outros cristãos, ainda, não protestavam o suficiente contra estas crueldades. Mesmo assim, o Nacionalsocialismo mesmo não era um produto automático do Cristianismo. Tivessem os nacionalsocialistas conseguido a destruição total dos judeus, sua fúria homicida ter-se-ia dirigido diretamente contra os cristãos. Com gratidão lembramo-nos daqueles cristãos que durante o domínio nacionalsocialista arriscaram ou sacrificaram as suas vidas para salvar judeus. Tendo em vista estes cristãos, exigimos a continuação dos recentes esforços na teologia cristã, para rejeitar univocamente o desprezo do Judaísmo e do povo judaico. Louvamos aqueles cristãos que recusam esse ensino de desdém e não os acusamos por causa dos pecados dos seus antecedentes.

A diferença, irreconciliável segundo critério humano, entre judeus e cristãos não será tirada antes de que Deus tenha salvo o mundo inteiro, conforme o profetizam as Escrituras.

Os cristãos conhecem a Deus e lhe servem através de Jesus Cristo e da tradição cristã. Os judeus conhecem Deus e lhe servem através da Toráh e da tradição judaica. Essa diferença não será desfeita, nem por uma das comunidades insistir em que ela é que interprete a Escritura mais corretamente que a respetiva outra, nem por uma comunidade exercer poder político sobre a outra. Assim como judeus reconhecem a fidelidade dos cristãos na sua Revelação, esperamos dos cristãos que respeitem a nossa fidelidade referente à nossa revelação. Nem a judia nem a cristã seja urgida aceitar a doutrina da outra comunidade.

Um renovado relacionamento entre Judeus e cristãos não vai enfraquecer a praxe judaica.

Um relacionamento melhorado não vai acelerar a, temida por judeus com razão, assimilação cultural e religiosa. Nem vai mudar as formas judaicas tradicionais de adoração, nem vai promover casamentos interreligiosos entre judeus e nao-judeus, nem vai aumentar a motivação de judeus se converterem à Cristandade, e nem uma inconveniente mistura entre Judaísmo e Cristandade. Reconhecemos a Cristandade como uma fé que provém do Judaísmo e continua dispondo de importantes contatos com este. Não consideramos a Cristandade uma como extensão do Judaísmo. Não podemos sinceramente manter as nossas relações uns com os outros, senão cultivarmos as nossas próprias tradições.

Judeus e cristãos devem empenhar-se juntos pela justiça pela paz.

Judeus e Cristãos conhecem, cada um ao seu modo, a não-redenção do mundo, como esta se manifesta em permanente perseguição, pobreza, degradação e miséria humanas. Se bem que justiça e paz repousam em última instância nas mãos de Deus, os nossos esforços comuns, junto com aqueles de outras comunidades de fé, ajudarão a trazer o Reino de Deus, que esperamos e ansiamos. Separados e unidos devemos trabalhar para que justiça e paz entrem no nosso mundo. A visão dos profetas de Israel é para nós guia comum nisso.

"Dias virão em que o monte da casa do Senhor será estabelecido no mais alto das montanhas e se alçará acima de todos os outeiros. A ele acorrerão todas as nações, muitos povos virão dizendo: ‘Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos nas suas veredas.’" (Is 2,2-3).

Tikva Frymer-Kensky, University of Chicago
David Novak, University of Toronto
Peter Ochs, University of Virginia
Michael Signer, University of Notre Dame

Tradução: Pedro von Werden SJ

Fonte: Jewish-Christian Relations

sábado, 17 de junho de 1989

São Paulo dá exemplo de diálogo inter-religioso

HÉLIO DAMANTE

Raras vezes se tem oportunidade de assistir, ao vivo, encontro de personalidades religiosas de diferentes credos, voltadas para a causa do diálogo inter-religioso, ponto de partida para a verdadeira prática ecumênica.

São Paulo teve esse privilégio, no último domingo, ao ensejo da entrega do "Prêmio Patriarca Abrão", instituído pela CNBB, ao cardeal holandês Johannes Willebrands, do Vaticano, e ao dr. Gerhart M. Riegner, de Genebra (Congresso Judaico Mundial), pela dedicação de ambos ao fortalecimento das relações entre católicos e judeus.

Especialmente significativa foi a presença como convidada da sra. Jehan Sadat, viúva do presidente do Egito, Anwar Sadat. As três grandes religiões monoteístas encontravam-se na cidade cosmopolita, onde vivem em harmonia tantos de seus seguidores, para um momento de solene afirmação. As radicais mudanças nas relações entre judeus e católicos, sempre ressaltadas pelo atual papa (que visitou a sinagoga de Roma), os progressos registrados no relacionamento entre muçulmanos e católicos, em meio aos rigores da lei islâmica, podem também chegar a judeus e muçulmanos, contribuindo para a paz mundial. E essa foi a lição colhida no domingo, em São Paulo, numa festa endereçada em princípio ao diálogo católico-judaico, mas que ampliou o leque, incluindo a religião que mais cresce no mundo atual: o islamismo...

Festa celebra o entendimento entre religiões

Com a festa de entrega do primeiro Prêmio Patriarca Abraão de Ecumenismo, no dia 11, em São Paulo, católicos e judeus devem celebrar o êxito de uma das mais importantes experiências de diálogo inter-religioso já realizadas no País. Desde 1981, quando da criação da Comissão Nacional de Diálogo Católico-Judaico, representantes dos dois agrupamentos oficializaram entendimentos sobre várias questões de ordem religiosa, e editaram um livro com orientações inéditas para o diálogo entre as duas comunidades.

Com essas iniciativas, os brasileiros dão prosseguimento a um projeto internacional de aproximação religiosa. Os agraciados com o prêmio são justamente o cardeal Johannes Willebrands, presidente da Comissão da Santa Sé para Relações Religiosas com os Judeus, e Gerhart Riengner, co-presidente do Comitê Internacional Judaico de Consultas Inter-Religiosas, ambos importantes peças do xadrez diplomático em que se desenvolvem esses entendimentos. "Essas experiências têm posto fim a conceitos equivocados que já duravam séculos", festeja o rabino Henry Sobel, da Congregação Israelita Paulista.

Há pouco mais de vinte anos, por exemplo, os católicos eram instados a orar pelo que a Igreja chamava de "conversão dos pérfidos judeus". Na Semana Santa, ainda eram comuns as cerimônias e representações em que os judeus eram responsabilizados pelo assassinato de Jesus, identificados com a turba que o teria preterido em favor do meliante Barrabás. Somente na década dos 60, no Concílio Vaticano II, foi decidido que não se podia atribuir a morte de Jesus ao povo judeu.

"Não há dúvida de que o Cristianismo tem uma dívida histórica com o Judaísmo", adverte o franciscano holandês frei Felix Neesjes, assessor da CNBB. Neesjes cita como exemplo o caso de Portugal, cujos governantes forçavam os judeus a se converter ao cristianismo.

Segundo o rabino Sobel, o próximo passo da comissão de ecumenismo é iniciar entendimentos com a comunidade muçulmana no Brasil. A oradora da festa da próxima segunda-feira será a muçulmana Jehan Sadat, viúva de Anwar Sadat, presidente assassinado do Egito. Entre os vários pronunciamentos da noite, os convidados ouvirão Milton Nascimento cantar alguns de seus sucessos.

Duas igrejas em busca do entendimento

Quando o mundo inteiro, notadamente os países onde a religião luterana é mais influente, comemora hoje os 500 anos do nascimento de Martinho Lutero, começam a surgir sinais de que as igrejas Católica e Protestante teriam mesmo intenção de superar ao menos algumas de suas divergências. Um exemplo disso é a disposição de um papa, João Paulo 2º, em cruzar, pela primeira vez desde que Martinho Lutero fixou suas 95 teses na porta da igreja de Wittenberg, o umbral de um templo "herético" em sua diocese romana, a Igreja Evangélica de Roma. Isso acontecerá no próximo dia 11 de dezembro, quando o Papa fará um sermão que, acredita-se, tenha o teólogo reformista como tema. Segundo a agência internacional de notícias AP, fontes do Vaticano revelaram ainda que as comemorações do 5º centenário são uma oportunidade de o Papa estender a mão ao reformista alemão.

De acordo com informações do pastor da Igreja Luterana, padre Christopher Meyer, reveladas na semana passada, João Paulo 2º já deu um importante passo para a revisão da posição da Igreja Católica com relação ao luteranismo ao enviar uma carta ao cardeal Johannes Willebrands, presidente da Secretaria para a Unidade dos Cristãos (o mesmo que em 1970 se referiu a Lutero como o "doutor comum das igrejas"). Segundo o pastor, o Papa reconhece, na correspondência, não somente "a profunda religiosidade" de Lutero como também afirma que a "ruptura da unidade eclesiástica" teve "raízes mais profundas" do que a incompreensão mútua entre católicos e protestantes.

A carta do Papa não constitui uma reabilitação de Martinho Lutero e tampouco anula a excomunhão aplicada a ele pelo papa Leão 10 e as diferenças existentes entre as suas religiões. Mas pede que continuem sendo realizadas pesquisas históricas imparciais com o objetivo de se conseguir uma imagem mais justa de Lutero e de sua época.

Boa vontade

Não são de hoje as tentativas de reaproximação entre as duas Igrejas. A primeira experiência, mal-sucedida, ocorreu em 1541, 20 anos depois da excomunhão de Lutero. Desde então, muita discussão acalorada surgiu entre os teólogos das duas correntes. Os principais esforços parecem constar do documento assinado por católicos e luteranos, cuja elaboração terminou a 30 de setembro último, ainda de acordo com a AP, resultado de um diálogo patrocinado pela Conferência dos Bispos Americanos e o Ministério Luterano Mundial. Entre os pontos sobre os quais os teólogos de ambos os lados concordaram está o reconhecimento de que católicos e protestantes podem "reconhecer-se mutuamente compartilhando...o mesmo Evangelho de amor redentor na fé". Entre as divergências que ainda persistem está a autoridade do Papa e o número de sacramentos.

Os teólogos reconhecem que "os abusos que ocasionaram a Reforma foram parcialmente corrigidos pelo Concílio de Trento (1545/1563) e pelo Concílio Vaticano 2º (1962/1965)", convocado por João 23, e admitem que na esfera luterana também "há necessidade de reformas contínuas". Embora tenham chegado a um acordo sobre diversos pontos, após anos de discussão (a reaproximação foi iniciada em 65), ninguém nega que houve progressos.

Comemorações na Alemanha

Na Alemanha Oriental, as comemorações do aniversário do nascimento de Martinho Lutero adquiriram contornos políticos. Ao discursar na ópera de Berlim Oriental, o deputado Gerald Goettinag afirmou esperar que a cooperação entre o Estado e a Igreja, nas celebrações do 500º aniversário de Lutero, hoje, sirvam de base para um trabalho conjunto no futuro...


Fonte: O Estado de São Paulo, 17 de junho de 1989, p. 26. / Blog Acervo Profético