segunda-feira, 14 de abril de 1986

Papa condena anti-semitismo na primeira visita a uma sinagoga

Foto: JB - Hoje na História

Roma - João Paulo II tornou-se ontem o primeiro papa a visitar uma sinagoga, a de Roma, em cerimonia que determinou extraordinario esquema de segurança (mais de mil policiais), despertou na comunidade judaica esperanças de uma aproximação política e reconhecimento do Estado de Israel e permitiu ao pontífice reiterar a condenação de qualquer forma de anti-semitismo, além de recordar a herança comum das duas religiões e saudar nos judeus os "irmãos mais velhos".

O papa não se referiu ao Estado de Israel, com o qual o Vaticano não mantem relações, mas fizeram-no o presidente da comunidade judaica em Roma, Giacomo Saban, e o rabino chefe Elio Toaff. Saban manifestou a "aspiração de ver cair algumas reticencias quanto ao Estado de Israel". Seria, acrescentou, mais um passo no "fraterno diálogo" estabelecido a partir do Concílio Vaticano II e suas diretrizes ecumênicas - um passo, frisou, que não tem dúvidas, "será dado".

O rabino Elio Toaff recebeu o papa do lado de fora da sinagoga, construída à beira do Tibre pouco depois de 1870, quando foi abolido o gueto judeu que ali mesmo existia desde o século XVI. No interior, um coro masculino entoou o salmo 150 - "Aleluia. Louvado seja o Senhor em Sua santa morada" -. e durante 80 minutos João Paulo II e o rabino alternaram-se na leitura dos salmos, ouvindo as escrituras em hebreu e italiano e orando em silencio.